Fiocruz aponta queda nos casos de Covid-19 em dois terços dos estados

Boletim InfoGripe divulgado nesta quarta-feira (27) mostrou a tendência de queda a longo prazo de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em 18 unidades federativas do país

Isabelle Resende, da CNN, no Rio de Janeiro
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Das 27 unidades federativas do país, 18 apresentaram sinais de queda ou de estabilidade a longo prazo, considerando as últimas seis semanas, em relação aos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). A maioria destes casos foi associada ao vírus causador da Covid-19, de acordo com o novo boletim do InfoGripe, divulgado nesta quarta-feira (27) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Os estados do Amazonas, Amapá, Bahia, Maranhão, Pará, Piauí, Rondônia, Sergipe e Tocantins apresentaram tendência de crescimento, segundo o levantamento.

Segundo o boletim, as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste tiveram interrupção do crescimento observado em abril. O estudo, que corresponde à semana epidemiológica 29 (17 de julho a 23 de julho), indica que na metade Norte do Brasil houve a manutenção do crescimento em estados da região Norte e interrupção desse aumento no Nordeste.

“A análise das curvas de cada unidade federativa indica que na maioria dos estados da metade Sul do país (Sudeste, Sul e Centro-Oeste) não há mais sinal de crescimento. Diversos estados estão em situação de platô, e a maioria já apresenta indícios de terem iniciando processo de queda, como são os casos de DF, GO, MG, PR, RJ, RS, SC, SP", afirma o documento.

"Nas regiões Norte e Nordeste, que de modo geral iniciaram processo de crescimento apenas no mês de junho, já há sinais de interrupção de crescimento em diversos estados, especialmente no Nordeste”, completa o boletim.

No entanto, os pesquisadores ressaltam que nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina foi observada a manutenção de patamar elevado de casos em crianças, diferentemente do cenário observado na população adulta.

"Tal situação indica que o cenário ainda é instável e exige cautela", pontua a Fiocruz. Esse cenário de crescimento de casos de SRAG ocorreu diante do aumento nos casos de Covid-19, aponta a pesquisa.

Dos casos gerais de síndrome respiratória aguda grave, o InfoGripe indicou que 79,4% foram em decorrência do coronavírus, 5,5% do vírus sincicial respiratório (VSR), 1,7% da influenza A e 0,1% da influenza B. Já em relação às mortes por SRAG, 94,9% aconteceram por conta da Covid-19, 1% em decorrência da influenza A, 0,3% do vírus sincicial respiratório e 0,2% da influenza B.

Em relação às capitais, apenas nove apresentaram sinal de crescimento na tendência de longo prazo. São elas: Aracaju (SE), Belém (PA), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Manaus (AM), Palmas (TO), Porto Velho (RO) e Teresina (PI).

“Assim como sinalizado nos dados estaduais, algumas das capitais das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste apresentam interrupção na tendência de crescimento iniciada em abril, com formação de platô em junho e julho ou já iniciando processo de queda nas últimas semanas. As exceções são Curitiba e Florianópolis que voltam a apresentar sinal de crescimento em algumas faixas etárias, especialmente crianças pequenas e idosos”, informou a Fiocruz no boletim.

Os pesquisadores ainda apontaram que em várias localidades no Norte e Nordeste houve aumento de casos a partir de junho. “Dessas, algumas capitais do Nordeste já dão sinais de interrupção do crescimento ou início de queda na presente atualização”.

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