Fiocruz defende passaporte de vacinação para entrada no Brasil

Pesquisadores da Instituição têm receio de o país virar destino de pessoas não vacinadas no fim de ano e Réveillon e se preocupam com novas variantes

Aeroporto de Guarulhos
Aeroporto de Guarulhos Reprodução/gruairportsp/Facebook

Mylena GuedesIuri CorsiniStéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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Com a proximidade do fim de ano e festas de Réveillon, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) destaca a necessidade de os viajantes apresentarem o passaporte da vacinação contra o novo coronavírus para entrar no Brasil. No Boletim Observatório Covid-19, divulgado nesta sexta-feira (26), os especialistas também defendem a obrigatoriedade do passaporte sanitário para o acesso em locais públicos e a testagem de todas as pessoas que queiram vir para o território brasileiro.

À CNN, o pesquisador da Fiocruz, Carlos Machado, afirmou que há preocupação de que pessoas não vacinadas escolham o Brasil como destino de férias.

“O passaporte sanitário é uma medida adicional à proteção da população com a chegada de viajantes. O receio da Fiocruz é de que o Brasil se torne um destino turístico para pessoas não vacinadas. Mesmo existindo países europeus que avançaram na vacinação, muitos não chegam a 70% de cobertura e em outros com vacinação muito baixa”, afirma Machado.

De acordo com a nova edição do Boletim, houve nova queda dos indicadores da pandemia entre os dias 7 a 20 de novembro. Em todo o Brasil, foram notificados uma média diária de 9,8 mil casos da doença e 230 mortes em decorrência do vírus. Os valores apresentam uma redução, por dia, de 1% de infectados e de 1,2% de óbitos.

Também foi observado um declínio da taxa de letalidade, que vinha na faixa de 3% e está em 2,3%, próximo aos padrões internacionais. Apesar das quedas analisadas, os pesquisadores afirmam que o momento é de cautela e alertam sobre o novo surto em países da Europa.

A atual situação dos países europeus é chamada pela Fundação de “pandemia dos não vacinados”. Isso porque o aumento do número de mortes e casos da Covid-19 é registrado, principalmente, em regiões onde a cobertura vacinal não está progredindo. Além disso, a maior parte das internações é de pessoas que não receberam nenhuma dose da vacina.

“As vacinas não bloqueiam completamente a transmissão, mas contribuem para reduzir os casos críticos, graves, internações e óbitos. Por isso, é importante continuar avançando para que a população complete o esquema vacinal de forma a continuar aumentando a cobertura vacinal”, ressaltam os cientistas.

Outro receio da Fiocruz é de que novas variantes se espalhem nesses países, além da grande mobilidade internacional. O alerta é fundamental para a América do Sul, de acordo com os pesquisadores, já que o momento é de baixa transmissão na região.

 

“É importante manter o bom controle sanitário dos viajantes e prever a restrição de entradas, seja pela exigência do passaporte da vacinação, ou de testes negativos, conforme o que já vem sendo feito por vários outros países”, afirmam no Boletim.

As novas cepas são uma realidade. Na tarde desta sexta-feira (26), a variante Ômicron, descoberta no país africano Botsuana, foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como variante de preocupação. A decisão aconteceu após reunião de urgência convocada pelo grupo de trabalho sobre a Covid-19 da organização.

A nova variante está relacionada a um aumento abrupto de casos nas últimas semanas na África do Sul, região com baixa cobertura vacinal, de acordo com a Rede Corona-ômica, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A Ômicron tem se sobreposto à predominância da variante Delta, que até então respondia pela maioria dos casos no país africano.

Vacinação no Brasil

O Boletim da Fiocruz cita, ainda, dados do MonitoraCovid-19, gerados pelas secretarias estaduais de saúde. No momento, mais de 305 milhões de doses foram aplicadas no Brasil, o que representa 74,1% da população parcialmente vacinada, com a primeira dose do imunizante.

Em relação ao esquema vacinal completo, 61,1% dos brasileiros foram imunizados com segunda dose ou dose única, enquanto 6,9% da população recebeu a dose de reforço contra o vírus.

Dezesseis estados apresentam mais de 70% da população vacinada com a primeira dose e dezenove têm mais de 50% com a segunda dose. Com relação ao esquema vacinal completo, São Paulo foi o único estado que ultrapassou a marca de 70% da população vacinada com a segunda dose ou a dose única.

Já Mato Grosso do Sul e Espírito Santo são os estados com maior percentual de aplicação da dose de reforço. Mato Grosso apresenta 11,3% de vacinados com a terceira dose e o Espírito Santo tem 10,7% da população com o reforço

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