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    Fiocruz identifica gripe aviária em pinguins na Antártica; vírus não circula no Brasil

    De acordo com os pesquisadores, há possibilidade de que o vírus H11N2, subtipo do vírus influenza A, seja endêmico no continente gelado

    Pesquisadores da Fiocruz detectaram vírus da gripe aviária em pinguins na Antártica
    Pesquisadores da Fiocruz detectaram vírus da gripe aviária em pinguins na Antártica Peter Ilicciev/CCS/Fiocruz

    Lucas Rochada CNN em São Paulo

    Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) detectaram a presença do vírus H11N2, subtipo do vírus influenza A, em pinguins nas Ilhas Shetland do Sul, na Antártica. O vírus da gripe aviária não circula no Brasil.

    O estudo publicado no periódico científico Microbiology Spectrum sugere que haja circulação contínua no continente e reforça a importância da vigilância da gripe aviária.

    A Fiocruz conduz investigações na Antártica por meio do projeto Fioantar, que integra o Programa Antártico Brasileiro, conduzido pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm), da Marinha.

    De acordo com os pesquisadores, há possibilidade de que o vírus seja endêmico no continente gelado, mas não causa doença grave nos pinguins. No entanto, não há evidências científicas dos impactos para outros animais ou para os seres humanos.

    A pesquisadora da Fiocruz Maria Ogrzewalska, do Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), afirma que a escassez de estudos sobre o vírus influenza em aves na América do Sul dificulta traçar a origem do H11N2.

    “É importante em termos de vigilância saber o que está acontecendo lá, mas também temos a necessidade de saber o que acontece aqui, onde temos uma biodiversidade enorme em aves”, afirma Maria, em comunicado.

    Como foi feita a detecção do vírus

    Os estudos conduzidos no âmbito do projeto Fioantar tem como objetivo investigar novos agentes causadores de doenças, como vírus, fungos e bactérias, que podem estar presentes no ambiente antártico.

    Para este estudo, um total de 95 amostras de fezes de aves foram coletadas nas expedições realizadas em 2019 e 2020 em colônias de pinguins das Ilhas Shetland do Sul. O material foi submetido a testes de diagnóstico molecular, que revelaram o vírus da gripe aviária em cinco em sete amostras da Ilha Pinguim.

    A análise de genomas de quatro delas revelou a presença do H11N2 em pinguins-de-adélia e pinguins-de-barbicha pela primeira vez na ilha. O mesmo subtipo havia sido detectado na década de 2010 em outros pontos do arquipélago e da península Antártica.

    Vigilância da gripe

    O vírus influenza tipo A é classificado em vários subtipos, definidos por duas proteínas presentes na superfície da partícula viral, chamadas hemaglutinina e neuraminidase.

    Essas proteínas, essenciais para a capacidade de infecção do influenza, compõem as iniciais H e N que estabelecem o nome de cada variedade genética do vírus. Existem pelo menos 18 subtipos de hemaglutininas e 11 subtipos de neuraminidases descritos. O vírus A (H3N2), por exemplo, que circula na população humana, contém hemaglutinina subtipo 3 e neuraminidase subtipo 2.

    Entre as aves há uma grande quantidade de subtipos virais, alguns capazes de provocar doença grave em animais de granja levando a grandes prejuízos econômicos. Esses subtipos podem ainda provocar mortalidade em massa de aves com consequências para conservação de espécies ameaçadas.

    “O conhecimento desse vírus é importante porque ele ainda não foi identificado aqui, no Brasil. É importante para o acervo porque vai dando uma noção da diversidade do influenza e do que pode estar circulando naquelas espécies animais”, explica o virologista Fernando Couto Motta, pesquisador do Fioantar e do mesmo laboratório do IOC/Fiocruz.

    “Vivemos um momento de muita alteração no ambiente antártico e periantártico. O conhecimento do que existe lá permite que, numa situação em que ocorra um desequilíbrio, possamos entender o tamanho desse desequilíbrio e suas consequências”, completa.

    O artigo enfatiza “a necessidade do monitoramento uma vez que os vírus aviários podem ter implicações para a saúde da fauna endêmica e potencial risco de introdução de um vírus altamente patogênico no continente”.

    A cada primavera, mais de 100 milhões de aves se reproduzem ao redor da costa rochosa da Antártida e nas ilhas. Elas se reúnem em grandes colônias, compartilhando habitat. Durante o inverno, muitas migram para a América do Sul, África, ou áreas mais distantes, como Austrália e Nova Zelândia.