Fiocruz implementará projeto de profilaxia pré-exposição injetável contra HIV

Ação terá como público-alvo os grupos mais vulneráveis à infecção, segundo a OMS: homens que fazem sexo com homens e pessoas trans, de 18 a 30 anos

Castelo Mourisco, sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro
Castelo Mourisco, sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro Ana Limp/Fiocruz

Isabelle Resendeda CNN

No Rio de Janeiro

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O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, vai coordenar um projeto para implementação do programa de Profilaxia Pré-Exposição (PrEp) injetável contra o vírus HIV. Ainda sem data para começar, a iniciativa terá como público-alvo os grupos mais vulneráveis à infecção, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS): homens que fazem sexo com homens e pessoas trans, de 18 a 30 anos.

O Cabotegravir de ação prolongada tem oito semanas de proteção contínua contra a infecção pelo vírus por meio de uma única injeção intramuscular. O projeto é uma alternativa à PrEP oral, que pode reduzir o risco de infecção pelo HIV em 99%, mas apenas quando tomada conforme prescrito: uma vez ao dia ou antes e depois do sexo no esquema PrEP 2+1+1 (neste caso, apenas para homens cisgêneros). O medicamento é considerado a mais recente inovação para prevenção da doença.

No Brasil, a OMS estima que 30% das pessoas trans e 18% dos homens que fazem sexo com homens estão vivendo com HIV. Para Beatriz Grinsztejn, chefe do laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do INI/Fiocruz, que coordenará o projeto, “a PrEP com Cabotegravir de longa duração (CAB-LA) é uma estratégia nova e poderosa que pode realmente fazer a diferença no controle da epidemia de HIV/Aids”.

O INI/Fiocruz ainda não deu detalhes de quando terá início o programa e de que maneira o medicamento será disponibilizado para os grupos vulneráveis.

Financiado pela Unitaid, agência global de saúde ligada à OMS, além do Brasil, a iniciativa também vai ser desenvolvida na África do Sul. O programa sul-africano tem como alvo as adolescentes e jovens mulheres, que têm sido infectadas em taxas desproporcionalmente altas.

Na África Subsaariana, seis em cada sete novos casos de infecção em adolescentes ocorrem em garotas, e mulheres jovens têm o dobro do índice de contaminação em relação a homens jovens.

Na África do Sul, o projeto ainda incluirá um segundo novo produto de prevenção do HIV de ação prolongada direcionado também a meninas adolescentes e mulheres jovens. O anel vaginal de dapivirina, que dura 28 dias, pode ser inserido em casa e será distribuído gratuitamente.

Nos dois países, a ideia é integrar o Cabotegravir aos programas nacionais de saúde, gerando dados que apoiarão sua implantação global, explicou Mauricio Cysne, diretor de Relações Exteriores e Comunicação da Unitaid, durante seminário realizado nesta sexta-feira (18).

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