Fiocruz negocia produção de antiviral contra a Covid-19 para o SUS

O medicamento da farmacêutica americana MSD está em fase de teste e já demonstra redução de 50% do risco de internação e mortes pela doença

Camille Coutoda CNN

no Rio de Janeiro

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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estuda firmar parceria, por meio de cooperação técnica, com a farmacêutica americana MSD (Merck Sharp & Dohme) para produção do medicamento Molnupiravir contra a Covid-19.

Em nota, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) informou que está em “conversas avançadas para definir a melhor forma de acesso à população brasileira”. No entanto, ainda não há previsão de quando o medicamento estará disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

As tratativas incluem ainda a possibilidade de estudos futuros para utilizar o antiviral no enfrentamento de outras infecções, como a dengue e a chikungunya. De acordo com a Fiocruz, os resultados preliminares da pesquisa demonstraram que o medicamento reduziu em aproximadamente 50% o risco de hospitalização ou morte.

De acordo com a Fiocruz, a instituição já está participando do estudo multicêntrico internacional, de fase 3. Nessa etapa, o objetivo é verificar a eficiência do medicamento para evitar a propagação e transmissão da Covid-19 entre pessoas expostas ao vírus SARS-CoV-2.

Os pesquisadores avaliam a transmissão entre indivíduos que residem com uma pessoa que testou positivo para Covid-19 nas últimas 72 horas e apresenta pelo menos um sintoma associado à doença, além de outros critérios específicos exigidos no protocolo de pesquisa.

As análises ocorrem de forma simultânea em sete centros no Brasil, sendo dois sob responsabilidade da fundação, em Mato Grosso do Sul e no Rio de Janeiro, sob coordenação dos pesquisadores Júlio Croda e Margareth Dalcolmo.

Em entrevista à CNN, a pneumologista Margareth Dalcolmo afirmou que o tratamento será um ponto de virada no combate à Covid-19, mas ressaltou que nenhum medicamento substituirá a vacina. “Se tiver os resultados esperados, será o verdadeiro tratamento precoce. É um tratamento profilático para impedir que a pessoa adoeça. O medicamento não substitui a vacinação. Será no futuro um complemento à vacina”, disse a pesquisadora.

Sobre reduzir em aproximadamente 50% o risco de hospitalização ou óbitos, conforme o objetivo primário, o estudo mostrou que no 29º dia, nenhuma morte foi relatada em pacientes que receberam o antiviral, em comparação com oito mortes em pacientes que receberam placebo, uma substância sem qualquer efeito para o organismo.

Com base nos dados de sequenciamento viral disponíveis, o medicamento demonstrou eficácia consistente diante das variantes virais Gama, Delta e Mu, em aproximadamente 40% dos participantes.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que até o momento “a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), órgão vinculado à pasta, não recebeu pedidos de avaliação para incorporar o medicamento Molnupiravir no Sistema Único de Saúde (SUS)”.

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