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    Fiocruz pede registro de kits de diagnóstico de varíola dos macacos à Anvisa

    Produtos permitem a detecção de linhagens geneticamente distintas do vírus Monkeypox; entenda como funcionam os kits

    Kits de diagnóstico de varíola dos macacos de Bio-Manguinhos
    Kits de diagnóstico de varíola dos macacos de Bio-Manguinhos Foto: Bernardo Portella/Fiocruz

    Lucas Rochada CNN em São Paulo

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) enviou, na quarta-feira (10), um pedido de registro de dois kits de diagnóstico molecular de varíola dos macacos para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

    A solicitação, realizada via Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz), considera o kit molecular Monkeypox (MPXV) e o kit molecular 5PLEX OPV/MPXV/VZV/MOCV/RP.

    O diagnóstico molecular (chamado tecnicamente de RT PCR) é considerado a técnica padrão ouro para a detecção de vírus. O método permite a identificação do material genético de um microrganismo e tem sido amplamente utilizado no diagnóstico do SARS-CoV-2, por exemplo, na pandemia de Covid-19.

    Kit molecular monkeypox (MPXV)

    O kit molecular Monkeypox (MPXV) faz a identificação, em uma mesma amostra humana, das duas cepas geneticamente distintas do vírus Monkeypox. A cepa da África Central (Congo) e a cepa da África Ocidental, esta com circulação já confirmada no Brasil, segundo a Fiocruz.

    O produto utiliza a tecnologia de PCR em tempo real, que permite identificar o material genético do vírus a partir da coleta de amostras das lesões na pele do paciente com suspeita da doença. De acordo com a Fiocruz, o kit foi desenvolvido a partir das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o diagnóstico da doença.

    Diagnóstico diferencial

    O segundo kit molecular da Fiocruz faz a detecção e diagnóstico diferencial, em ensaio contendo diferentes alvos virais.

    Com a mesma tecnologia do primeiro teste, o produto é destinado a um protocolo que permite a diferenciação clínica em casos anteriormente classificados como “negativos” (sem infecção pelo vírus causador do monkeypox).

    Segundo a Fiocruz, a metodologia confere maior capacidade de esclarecimento diagnóstico, com a diferenciação dos vírus relacionados.

    Vigilância

    Até o momento, Bio-Manguinhos produziu 12 mil “reações” (que permitem o diagnóstico) de cada um dos dois protocolos estabelecidos para uso em pesquisa.

    Segundo a Fiocruz, ambos os diagnósticos moleculares identificam o material genético do vírus da Monkeypox e a tecnologia permite o uso imediato em plataformas que já fazem a identificação de outros vírus na rede de Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens).

    “A importância das ações de preparação para emergências sanitárias se expressa nesta oferta rápida dos kits moleculares em resposta à Monkeypox. Uma cadeia de suprimentos mais efetiva, após a experiência com a Covid-19, e um arranjo produtivo local fortalecido contribuem para a autonomia nacional em relação a insumos indispensáveis ao enfrentamento de problemas de saúde pública, que têm surgido com mais frequência e maior alcance”, afirma a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, em comunicado.

    A Fiocruz afirma ter capacidade de escalonar a produção destes novos kits de diagnóstico molecular, sem que haja impacto na oferta de outros produtos internos, diante do aumento da demanda pelo diagnóstico.

    Lesões na pele semelhantes a espinhas, que evoluem para bolhas são um dos principais sintomas da Monkeypox / Kateryna Kon/Science Photo Library/Getty Images

    Como identificar e prevenir a varíola dos macacos

    Até o momento, o Brasil registra 2.458 casos confirmados de varíola dos macacos, de acordo com o Ministério da Saúde.

    Os casos foram registrados nos estados de São Paulo (1.748), Rio de Janeiro (278), Minas Gerais (102), Distrito Federal (92), Paraná (52), Goiás (53), Bahia (25), Ceará (9), Rio Grande do Norte (8), Espírito Santo (7), Pernambuco (13), Tocantins (1), Acre (1), Amazonas (5), Pará (1), Paraíba (1), Piauí (1), Rio Grande do Sul (29), Mato Grosso (2), Mato Grosso do Sul (8), e Santa Catarina (22).

    As manifestações clínicas da varíola dos macacos habitualmente incluem lesões na pele na forma de bolhas ou feridas que podem aparecer em diversas partes do corpo, como rosto, mãos, pés, olhos, boca ou genitais.

    O período de incubação é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias. Na forma mais comum documentada da doença, os sintomas podem surgir a partir do sétimo dia com uma febre súbita e intensa.

    São comuns sinais como dor de cabeça, náusea, exaustão, cansaço e principalmente o aparecimento de inchaço de gânglios, que pode acontecer tanto no pescoço e na região axilar como na parte genital.

    Já a manifestação na pele ocorre entre um e três dias após os sintomas iniciais. Os sinais passam por diferentes estágios: mácula (pequenas manchas), pápula (feridas pequenas semelhantes a espinhas), vesícula (pequenas bolhas), pústula (bolha com a presença de pus) e crosta (que são as cascas de cicatrização).