Foco em doses de reforço pode prejudicar vacinação pelo mundo, diz médico

O infectologista Carlos Fortaleza disse à CNN que deixar nações de baixa renda sem cobertura vacinal é o mesmo que admitir mais mortes nelas

Produzido por *Renata Souzada CNN

em São Paulo

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Em entrevista à CNN, o infectologista e epidemiologista Carlos Magno Fortaleza afirmou que ainda não se sabe o quanto a terceira dose pode contribuir para o desequilíbrio da distribuição das vacinas contra a Covid-19 no mundo.

“Nós não sabemos se ela [terceira dose] para pessoas não-idosas é tão necessária, porque as pessoas que estão em grande risco são os idosos, e nós não sabemos até que ponto também isso não contribui para a inequidade de vacinas no mundo. A OMS está preocupada corretamente com o fato de tantos países falarem de terceira dose enquanto há países africanos que não vacinaram nem 2 % de sua população”, disse o epidemiologista

A partido disso, o também professor da Unesp alertou para o possível surgimento de novas cepas em países de baixa renda que possuem uma baixa cobertura vacinal. Segundo ele, devemos pensar em termos “éticos” e “pragmáticos”.

“Uma nova variante que surja em um país onde as pessoas não estão imunizadas pode ser uma com algum modo de escape contra as vacinas dos outros países”, disse.

“Deixar essas nações sem cobertura é admitir mais mortes em países de baixa renda, mas também que um novo vírus possa vir e acometer os países de média e alta renda.”

 

Intercambialidade de doses

O tema terceira dose também traz a discussão de uma intercambialidade de doses – usar vacinas de marcas diferentes para cada aplicação. Segundo o infectologista, os dados precisam ser analisados, mas ele reforça que o foco deve ser vacinar aqueles que perderam parte da imunidade após as duas primeiras vacinações .

“Precisamos estudar profundamente essa questão, mas devemos ser pragmáticos”, afirmou. “Sobretudo, precisamos vacinar os idosos que começam a perder a proteção das duas doses.”

A cidade de São Paulo iniciou nesta segunda-feira (6) a aplicação da dose de reforço para idosos acima de 90 anos.

(*sob supervisão de Jorge Fernando Rodrigues)

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