França proíbe uso da cloroquina no tratamento da Covid-19
Bélgica e Itália também anunciaram que irão suspender o uso da hidroxicloroquina por medidas de segurança.

O governo francês cancelou nesta quarta-feira (27) um decreto que permitia a médicos de hospitais do país administrar hidroxicloroquina como tratamento para pacientes que sofrem sintomas graves da Covid-19.
A medida, que tem efeito imediato, é a primeira tomada por um país desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou na segunda-feira (25) que estava interrompendo um grande teste do medicamento contra a malária em pacientes com a Covid-19 devido a questões de segurança.
O cancelamento do decreto, que significa que a droga está agora proibida para esse uso, foi anunciado no diário oficial do governo e confirmado por uma declaração do Ministério da Saúde, que não se referiu à suspensão realizada pela OMS.
A França decidiu no final de março permitir o uso de hidroxicloroquina, que também é aprovada para o tratamento de lúpus e artrite reumatóide, em situações específicas e em hospitais apenas para pacientes com a Covid-19.
A revista médica britânica The Lancet informou que os pacientes que receberam hidroxicloroquina elevaram suas taxas de mortalidade e batimentos cardíacos irregulares, se juntando a uma série de outros resultados decepcionantes para a droga como uma forma de tratar a infecção respiratória.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro e outros líderes promoveram a hidroxicloroquina nos últimos meses como um possível tratamento para o coronavírus.
Nenhuma vacina ou tratamento foi ainda aprovado para tratar a Covid-19, que já matou ao menos 350 mil pessoas em todo o mundo.
Bélgica e Itália
Demais países europeus também anunciaram a suspensão do uso da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus nesta quarta-feira. Além da França, Bélgica e Itália fazem parte dos países que, por questões de segurança, optaram por supender o uso do medicamento.
A agência de medicina da Bélgica, alertou contra a continuação do uso do remédio para tratar o vírus, exceto em testes clínicos registrados em andamento, dizendo que os testes que visam avaliar o medicamento também deveriam levar em consideração os riscos em potencial.
Autoridades de saúde italianas concluíram que os riscos, aliados aos poucos indícios de que a hidroxicloroquina é benéfica contra a Covid-19, justificam uma proibição fora dos testes clínicos.
As ações de três dos países mais afetados pelas infecções e mortes decorrentes do coronavírus seguem a decisão tomada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na segunda-feira de interromper um grande teste de hidroxicloroquina por questão de segurança.
Com Reuters