Governo multa empresa em R$ 6,5 milhões por remédio de pressão alta com impureza

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a nitrosamina traz riscos de câncer no caso de uso prolongado

Basília Rodrigues, da CNN
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Em tempos que só se fala de novo coronavírus, não parece, mas outros problemas de saúde também estão na pauta do governo. Um deles é a venda de remédio para quem tem pressão alta. 

A novidade é que o ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor, aplicou multa no valor de R$ 6,5 milhões ao grupo farmacêutico EMS pela venda de produto com impurezas que podem causar câncer quando utilizados por longo período.

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"O grupo empresarial é formado por EMS S.A., EMS Sigma Pharma LTDA., Germed Farmacêutica LTDA., Legrand Pharma Indústria Farmacêutica LTDA e Nova Química Farmacêutica S/A. O processo administrativo sancionatório foi aberto em razão da postura omissa das empresas pertencentes ao conglomerado. Entendeu-se que os fornecedores envolvidos deixaram de cumprir as determinações de apresentação de campanha de recall para os produtos que tinham, na sua composição, a presença de impurezas da espécie nitrosaminas", informou a Secretaria Nacional do Consumidor.

O órgão de defesa do Consumidor considerou a gravidade e a extensão da potencial lesão causada aos consumidores em todo o país pelo fato da empresa não retirar os medicamentos potencialmente cancerígenos das mãos dos pratelereiras.

Investigações que partiram das agências europeia e norte-americana de medicamentos atestaram para o mal dessa substância. As impurezas foram localizadas em lotes de remédios de pressão alta, que são de uso contínuo.

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Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a nitrosamina traz riscos de câncer no caso de uso prolongado. No ano passado, a Anvisa promoveu o recolhimento de várias caixas de remédios de pressão, como a losartana, valsartana, candesartana, olmesartana e irbersartana.

A reportagem tenta contato com a EMS.

A Sociedade Brasileira de Hipertensão divulgou orientações para quem usa medicamentos, que devem:

- continuar tomando seu medicamento, a menos que tenha sido aconselhado a parar pelo seu médico;

- Não interromper o tratamento;

- Converse com o farmacêutico; e

- Procure seu médico.

Há no mercado outros medicamentos equivalentes terapêuticos, com os mesmos princípios ativos e concentração que são intercambiáveis a um medicamento que teve o lote recolhido.

Somente troque de medicamento quando já tiver o novo em mãos, pois a interrupção do tratamento da hipertensão pode produzir malefícios instantâneos, inclusive risco de morte por derrame, ataques cardíacos e insuficiência renal.

Outro lado

O grupo empresarial divulgou nota sobre o assunto:

O Grupo NC, em respeito ao consumidor, informa que em março de 2019 havia iniciado, como medida preventiva e cautelar, o recolhimento voluntário, em todo o território nacional, de lotes de medicamentos fabricados com a valsartana. A Anvisa determinou a suspensão de importação, distribuição, comercialização e uso do citado insumo farmacêutico ativo para todas as empresas farmacêuticas no Brasil.

Em relação à decisão da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Grupo NC informa que vai interpor o recurso cabível com base na ampla divulgação sobre o tema feita em mídia nacional, inclusive trazendo esclarecimentos do Grupo, e pelos próprios canais de atendimento ao consumidor na época.