Hidroxicloroquina não previne hospitalizações por Covid-19, mostra novo estudo

Pesquisa avaliou 1.372 pacientes adultos diagnosticados com a doença; resultados foram publicados nesta semana

Frasco e pílulas de hidroxicloroquina em Provo, nos Estados Unidos
Frasco e pílulas de hidroxicloroquina em Provo, nos Estados Unidos 27/05/2020 REUTERS/George Frey

Ingrid Oliveirada CNN

Em São Paulo

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Um estudo feito em parceria entre hospitais privados e instituições médicas avaliou a efetividade da hidroxicloroquina em pacientes adultos ambulatoriais diagnosticados com Covid-19 e revelou que o medicamento não demonstra benefícios na prevenção de hospitalização devido à doença.

O estudo foi conduzido em parceria entre o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento e a BP (Beneficência Portuguesa de São Paulo), além do Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e a Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). Os resultados foram publicados na The Lancet Regional Health Americas nesta quinta-feira (31).

Chamado de Coalizão V, o ensaio teve início no dia 12 de maio de 2020 e foi finalizado em 7 de julho de 2021, com a participação de 56 centros de pesquisa brasileiros. A iniciativa é responsável por conduzir nove estudos voltados a diferentes populações de pacientes infectados pelo novo coronavírus.

Para que fosse possível, a análise comparou o uso de hidroxicloroquina com placebo (substância incolor e que não possui efeito no corpo), por meio de randomização (sorteio) de pacientes não hospitalizados com quadros leves ou moderados de Covid-19 em até sete dias do início dos sintomas, com pelo menos um tipo de comorbidade –que aumenta o risco de evoluir para doença grave.

Análise

A aplicação da dose do medicamento ocorreu de 12 em 12 horas com um comprimido de 400 mg no primeiro dia, seguido de 400 mg por dia durante o período total de 7 dias. O objetivo principal era avaliar as taxas de hospitalização devido a complicações da Covid-19 nos pacientes, que foram acompanhados 30 dias após o início do estudo. A pesquisa avaliou 1.372 pacientes e descobriu que não houve diferença significativa na ocorrência de hospitalização comparando os grupos hidroxicloroquina e placebo.

O resultado mostrou que 6,4% dos que utilizaram hidroxicloroquina foram internados por complicações da Covid e 8,3% que receberam placebo. Para concluir a análise, os pesquisadores utilizaram uma coleta de dados que incluiu todos estudos previamente publicados avaliando a hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 não hospitalizados, incluindo o estudo Cope, o qual demonstrou ausência de benefício significativo do medicamento na redução de hospitalização.

Nas observações dos estudos, 5,6% dos pacientes que utilizaram hidroxicloroquina foram hospitalizados. Já no estudo Cope, 7,4%. Os pesquisadores descobriram também que não houve diferença no número de óbitos ou eventos adversos sérios entre os dois grupos.

Segundo os pesquisadores, os resultados do estudo Cope não dão suporte para o uso rotineiro do medicamento para o tratamento de pacientes com Covid-19 que não foram hospitalizados.

A pesquisa contou com apoio da farmacêutica EMS, que forneceu os medicamentos, e foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Sobre a hidroxicloroquina

A hidroxicloroquina é um derivado da cloroquina (medicamento utilizado contra malária) com as mesmas propriedades farmacológicas, mas menos efeitos tóxicos, como explicou à CNN Ana Paula Hermann, professora do departamento de farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O medicamento foi defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no começo da pandemia.

 

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