Estudo: homens que vivem sozinhos são mais suscetíveis a doenças inflamatórias

Atividades físicas regulares e dieta saudável podem ajudar o bem-estar, tanto psicologicamente quanto biologicamente

Vida solitária leva a diversos problemas
Vida solitária leva a diversos problemas Gerd Altmann, via Pexels

Madeline Holcombeda CNN

Ouvir notícia

Pesquisas já mostraram que anos morando sozinho pode ser prejudicial em diversas maneiras para a saúde de uma pessoa e, um novo estudo, publicado nesta segunda-feira, revela que ao menos um desses impactos pode ser particularmente ruim para os homens.

O estudo analisou amostras de sangue de 4.835 participantes do Biobanco de Envelhecimento e Meia-idade de Copenhague para examinar os níveis de inflamação.

“Nós encontramos uma associação significativa entre separações ou anos morando sozinhos e a inflamação, isso em homens somente, após o ajuste de alguns fatores”, disse a Dra. Karolina Davidsen, pesquisadora associada do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Copenhague e autora da publicação do estudo. “Em mulheres, nós não encontramos tais efeitos.”

O estudo, publicado no periódico BMJ, analisou tanto os anos vividos sozinhos quanto o número de separações porque fim de relações que foram significativas são geralmente seguidas de períodos de solidão, escreveram os pesquisadores. Observar somente as separações não foi o suficiente para rastrear perdas de parceiros por causa do crescente número de pessoas que têm relacionamentos significativos mas que não casam, diz o estudo.

A conexão entre sentir-se solitário e impactos adversos à saúde foi bem documentada, disse o Dr. Peter Libby, especialista em medicina cardiovascular no Hospital Brigham e da Mulher, que não foi envolvido no estudo. Esse estudo fortalece a conexão que especialistas viram entre o sistema nervoso e a inflamação, que é um contribuinte significativo para doenças cardíacas, disse Libby.

“Há uma compreensão crescente das ligações fundamentais entre o estresse psicológico e as variáveis biológicas relacionadas à inflamação”, complementa Libby.

As mulheres que participaram do estudo não mostraram uma associação tão forte entre morar sozinha ou entre vários términos e a inflamação, mas Davidsen observou que isso pode ser parcialmente resultado do número menor de participantes do sexo feminino envolvidos no estudo em comparação ao sexo masculino.

Os níveis de inflamação em participantes poderiam também parecer diferentes se eles tivessem sido mensurados em idades mais avançadas, acrescentou Davidsen. A idade média dos estudados era de 54,5 anos, e é possível que os impactos das separações e anos vividos sozinhos continuaram à medida que os participantes envelheceram, disse.

Estar sozinho versus sentir-se sozinho

O que alguém que vive sozinho — seja por escolha ou circunstâncias — deve fazer? Davidsen disse que saber essa informação pode ser valioso para os médicos que os estão tratando.

“Uma [sugestão] pode ser aconselhar os profissionais de saúde a estarem atentos a este grupo de risco que pode estar vivendo com um fator de risco social adicional que geralmente não é levado em consideração”, disse.

Sabendo que os riscos de inflamação podem aumentar, Libby disse que aconselha os pacientes a buscarem um estilo de vida saudável.

“Quando confrontado com adversidades de qualquer tipo, atividades físicas regulares e dieta saudável podem ajudar o bem-estar, tanto psicológico quanto biológico”, acrescentou Libby.

Como muitas coisas, morar sozinho traz seus riscos e benefícios.

A solidão tem sido associada à redução da saúde, do bem-estar e da capacidade cognitiva — mas morar sozinho nem sempre significa sentir-se só.

Nos últimos anos, pesquisas mostraram que mais pessoas não estão casadas e estão morando sozinhas, e dados revelaram também que a solidão diminuiu em idades a partir do 50 anos até a metade dos 70 anos, disse Louise Hawkley, cientista sênior do NORC, instituto de pesquisa apartidário da Universidade de Chicago. Hawkley não foi envolvida no estudo da inflamação.

Uma rede social diversificada, assim como senso de controle sobre a própria vida, tiveram um impacto significativo no quão solitária uma pessoa se sentia, de acordo com uma pesquisa de 2019 da Hawkley.

Solteiro e satisfeito

Para alguns, ser solteiro é até uma vantagem, segundo Elyakim Kislev, professor assistente na Universidade Hebraica de Jerusalém.

Kislev analisou bases de dados americanas e europeias, incluindo o Censo dos EUA e a Pesquisa Social Europeia, como parte de um exame das tendências da vida de solteiro e o que deixava alguns solteiros felizes.

Ele estudou relacionamentos em mais de 30 países e conduziu mais de 140 entrevistas com pessoas solteiras nos EUA e na Europa — pessoas entre 30 e 78 anos de idade que juntas representaram uma mistura de gêneros, sexualidades e origens socioeconômicas e éticas.

Ele descobriu que as principais diferenças entre solteiros felizes e solteiros infelizes geralmente dependiam se eles internalizavam estereótipos sobre ser solteiro ou os ignoravam.

A solidão de alguns solteiros felizes também foi ofuscada pela realização de experiências emocionantes como viajar ou encontrar novos hobbies. Eles também usaram seu tempo sozinhos para “se recarregar” e “ser empoderados focando neles mesmos nesses momentos”, disse Kislev.

Este estudo mais recente pode ressaltar os riscos de homens que moram sozinhos, mas a saúde tem várias faces e monitorar fatores de risco, maximizar o bem-estar e tratar a inflamação que surge junto com o auxílio do seu médico, pode ajudar os pacientes a viver uma vida saudável, disse Libby.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

versão original

Mais Recentes da CNN