Imunização dos idosos deve sempre contar com 3 doses, diz pesquisador da Fiocruz

Coordenador de estudo que identificou queda de eficácia de imunizantes em idosos, Manoel Barral Netto destacou preocupação com variante Delta para faixa etária

Produzido por Jorge Fernando Rodriguesda CNN

Em São Paulo

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Um estudo realizado pela Fundação Oswaldro Cruz (Fiocruz) confirma que o “fator idade” influencia na eficácia dos imunizantes AstraZeneca e Coronavac.

Em entrevista à CNN, o pesquisador da Fiocruz na Bahia e coordenador do estudo, Manoel Barral Netto, explicou que a proteção contra o vírus da Covid-19, gerada a partir da aplicação das duas doses, é menor em pessoas mais velhas por questões genéticas.

“Já se sabe que a medida que o indivíduo vai ficando mais idoso, o seu sistema imune não responde tão bem quanto dos mais jovens. Isso é algo já conhecido e afeta de forma diferente cada vacina”, disse Netto.

Segundo o pesquisador, mesmos nos mais jovens, ainda não se sabe quanto tempo pode durar a proteção, se será preciso mudar o esquema vacinal para incluir 3ª dose como regra geral. Mas, quanto aos idosos, a necessidade de reforço é uma certeza.

“No momento, podemos ter confiança de que a 3ª dose é extremamente necessária para a faixa dos 80 e 90 anos, e, provavelmente, vai fazer parte de esquema regular de vacinação. Não vai nem se chamar de dose de reforço, a imunização dos idosos provavelmente terá três doses ao invés de duas”, completou.

Proteção contra óbitos

A pesquisa da Fiocruz aponta que a eficácia dos imunizantes sofre uma queda significativa na população com maior idade. Pessoas entre 80 e 89 anos que tomaram a vacina da AstraZeneca tiveram uma proteção contra morte de 89,9%, enquanto a eficiência da Coronavac foi para 67,2%.

Já para o público acima de 90 anos, a vacina sofre novamente outra redução na eficácia. O estudo mostra que os índices de proteção ficaram em 65,4% nos vacinados com AstraZeneca e 33,6% com Coronavac nos idosos dessa faixa etária.

Vacinação contra a Covid-19 na Marquês de Sapucaí
Vacinação de idosos contra a Covid-19 na Marquês de Sapucaí / Foto: Reprodução/CNN (22.abr.2021)

Netto explicou que a pesquisa não tinha como objetivo indicar qual o imunizante deveria ser usado na 3ª dose, mas sim identificar a ocorrência da perda de eficácia na população idosa. Além disso, a variante Delta também traz preocupações para o recrudescimento da pandemia no país.

“Claramente isso também é um fator que pode alterar esses dados. Pode ser que a proteção seja menor que a gente tinha previsto e tudo isso reforça a necessidade de proteção dos grupos mais vulneráveis, como é o caso dos 90 anos”, disse.

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