Infectologista explica “imunidade maior” após vacina diferente como 3ª dose

"Quando você substitui plataformas para vacinas de RNA mensageiro ou vetor viral, a resposta imune é maior", afirma Jamal Suleiman, especialista do Hospital das Clínicas

Produzido por Thiago Felixda CNN

em São Paulo

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Seis capitais brasileiras já deram início a aplicação da terceira dose contra a Covid-19. Segunda-feira (6) será a vez de São Paulo. Os cientistas discutem estudos sobre a possibilidade de misturar as plataformas de vacina na aplicação da dose de reforço.

Atualmente, o Brasil tem disponível a Coronavac (de vírus inativado), a Pfizer (de RNA mensageiro) e a AstraZeneca (de vetor viral). Dados de um estudo recente apontam para uma melhora na resposta imune quando se aplica um outro tipo de vacina.

“Os dados gerados até agora em relação aos ensaios, inclusive esses de campo, mostram que quando você substitui as plataformas, por exemplo, para as vacinas de RNA mensageiro ou vetor viral, a resposta imune dos indivíduos é maior”, explica o infectologista do Hospital das Clínicas Jamal Suleiman à CNN.

Suleiman explica que as três plataformas de vacina contra a Covid-19 são estratégias diferentes para a produção de anticorpos. Ao receber um destes estímulos, o corpo guarda uma “memória” e é capaz de reconhecer um determinado agente. Com a aplicação de uma estratégia diferente, a resposta pode ser ainda mais robusta.

“Essa resposta mais intensa tem a função de fazer com o que o seu organismo, ao reconhecer aquele determinado agente, promova o bloqueio daquela agente. Estas plataformas distintas têm a função de promover respostas mais intensas contra aquele determinado agente agressor.”

O infectologista afirma que a Coronavac não está definida para doses de reforço neste momento, pelo ministério da Saúde, somente porque sua aprovação no Brasil é para uso emergencial. Mas caso consiga aprovação, seu uso será seguro para terceira dose.

“É uma questão que não é burocrática, também é técnica, e uma vez mostrado estes documentos você consegue a aprovação. Não vejo problema de se administrar como dose de reforço. É claro que devem e têm plataformas superiores, neste momento, para este evento, mas não é impossível, dá para utilizar com segurança”, diz.

Coronavac como 3ª dose

Em entrevista à CNN ontem (3), ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que a pasta não recomendará o uso da Coronavac para a terceira dose enquanto não houver o registro definitivo concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“É necessário que haja a aprovação dos imunizantes para aplicação nestes grupos específicos, não podemos colocar qualquer imunizante. Só tem um deles com aprovação [definitiva] da Anvisa [incluindo os adolescentes]. E, se não tiver a aprovação da Anvisa, nós não vamos aplicar através do PNI”, disse.

“Vou deixar bem claro: aprovação da Anvisa. Vamos avançar com a dose de reforço nesses grupos e, se as pesquisas apontarem para necessidade desse reforço no restante da população brasileira, faremos isso até o final do ano”, completou, na entrevista à CNN.

200 milhões de doses

O Brasil atingiu, neste sábado (4), a marca de 200 milhões de doses contra a Covid-19 aplicadas. Pouco mais de seis meses após o início da campanha no país, em 17 de janeiro,  62% dos brasileiros já receberam a primeira dose da vacina.

Para efeito de comparação, o país demorou cerca de cinco meses após o começo da vacinação para chegar às 100 milhões de doses. Os dados são das secretarias estaduais de saúde levantados pela CNN.

Atualmente, os estados aplicam os imunizantes Coronavac/Butantan, Oxford/AstraZenecaPfizer e Janssen.

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