Internações por Covid de jovens de até 19 anos em 2021 já superam todo o ano passado

Este ano, o número de hospitalizações de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos já chega a mais de 16 mil. A Faixa etária de até um ano concentra o maior número de casos e mortes

Elis Barretoda CNN

Rio de Janeiro

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Um documento do Instituto Figueira Fernandes, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/FIOCRUZ), publicado nesta quinta-feira (23), alerta para o aumento da gravidade da Covid-19 em crianças e adolescentes da faixa etária de 0 a 19 anos.

De acordo com o levantamento, até agosto de 2021, foram notificados mais casos de internações pela doença, com pacientes na faixa etária de 0 a 19 anos, do que em todo o ano de 2020.

Até a última semana de dezembro do ano passado, foram 14.638 hospitalizações nessa idade. Entretanto, até agosto deste ano, já foram registradas 16.246 internações pela doença nesse grupo etário. Um crescimento de quase 11% de um ano para o outro.

Na publicação, os médicos fazem um alerta para a faixa etária de até um ano de idade: “trata-se da faixa etária por número de anos com maior quantidade de casos (4.117) e óbitos (326), proporcionalmente, por Covid-19, nos anos de 2020 e 2021.”.

Os pesquisadores relatam que as causas da maior taxa de mortalidade e incidência nessa faixa etária ainda estão sendo estudadas.

Desde o início de 2021, 2.293 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram notificadas em pacientes hospitalizados. Desses internados, 52% tiveram como causa da morte a Covid-19.

O pediatra infectologista Márcio Nehab, médico do IFF/Fiocruz e organizador do documento, explicou que a mortalidade infantil já era um problema no Brasil antes da pandemia, mas a situação se agravou em 2020.

“A principal causa de morte de crianças no Brasil é a falta de assistência médica, e isso sempre foi uma carência no país. Existe uma diferença muito grande de leitos de Unidade de Terapia Intensiva pediátrica de uma região para outra. Isso tudo reflete nesse número da mortalidade nessa faixa etária.”, explica.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em agosto de 2018, o Brasil possuía 50.180 leitos pediátricos, entre pediatria clínica e cirúrgica disponíveis no SUS. Já em 2019, no mesmo mês, esse número era de 49.061 vagas. No ano passado, a redução continuou, e 47.684 constavam no Sistema Único de Saúde. Em agosto deste ano, a queda registrada foi maior ainda: 36.451 leitos estavam disponíveis no SUS.

Isso representa uma baixa de 23% de 2020 para cá. A CNN procurou a pasta para entender o motivo da queda de leitos pediátricos e aguarda retorno.

Segundo Nehab, o treinamento e quantitativo médico é o maior desafio para combater a mortalidade de crianças. “O maior número de óbitos no Brasil, é no primeiro minuto de vida. Imediatamente após o parto. Por isso a Sociedade Brasileira de Pediatria investe tanto em treinamento de reanimação neonatal.”.

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