Isolamento social na pandemia aumenta casos graves de diabetes, aponta pesquisa

Por dia, cerca de 82 brasileiros precisam amputar membros inferiores devido a complicações vasculares

Agência Saúde DF

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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Os casos graves de diabetes com necessidade de amputação registraram patamares recordes nos primeiros meses de 2022, como reflexo da pandemia de Covid-19. É o que aponta um estudo inédito da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (Sbacv) divulgado nesta quinta-feira (23).

A doença, que cresce há pelo menos dez anos entre a população brasileira, está associada a problemas vasculares.

O levantamento indica que, a cada dia, cerca de 82 brasileiros precisaram amputar algum membro inferior, após complicações vasculares nos primeiros meses de 2022. O índice representa três amputações a cada hora – um recorde, segundo a pesquisa, que tem como base dados do Ministério da Saúde.

Em números absolutos, os estados que mais realizaram procedimentos de amputações de membros inferiores no sistema público foram São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Os quatro estados representam mais de 40% de todos as intervenções cirúrgicas.

Histórico de procedimentos diários no Brasil:

  • 2012: 52
  • 2013: 54
  • 2016: 63
  • 2018: 71
    ….
  • 2020: 75
  • 2021: 79
  • 2022: 82 (até março)

Para os especialistas consultados pela CNN, o aumento no número de procedimentos desse tipo é consequência do isolamento social causado pela pandemia, período que houve a suspensão de tratamentos clínicos contra a diabetes.

O cirurgião vascular e diretor da Sbacv, Mateus Borges, explicou que a crise sanitária causou uma evasão de pacientes dos tratamentos, que ficaram com medo de se infectar pelo vírus. Ele lembrou que pessoas com casos graves de diabetes demandam longos períodos de internação, o que não aconteceu durante a pandemia.

“Esses dados demonstram o impacto da pandemia no cuidado e na qualidade de vida dos pacientes com essa doença. Pacientes com casos graves de diabetes, que desenvolvem úlcera, demandam longos períodos de internação ou reinternações, com consequentes períodos de perda ou afastamento do trabalho, aposentadoria precoce e, por vezes, queda na autoestima, depressão ou criação de um quadro de dependência de familiares ou amigos”, disse o médico.

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