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    Jejum intermitente aumenta risco de transtornos alimentares, diz especialista

    Tema será abordado no "CNN Sinais Vitais - Dr. Kalil Entrevista" neste sábado (22), às 19h30, na CNN Brasil

    Dr. Roberto Kalil recebe o psiquiatra Tákis Cordás, coordenador do Ambulim (Ambulatório de Transtornos Alimentares do HC/SP), e a nutricionista Fernanda Pisciolaro, especialista em distúrbios metabólicos e risco cardiovascular
    Dr. Roberto Kalil recebe o psiquiatra Tákis Cordás, coordenador do Ambulim (Ambulatório de Transtornos Alimentares do HC/SP), e a nutricionista Fernanda Pisciolaro, especialista em distúrbios metabólicos e risco cardiovascular CNN/Divulgação

    Gabriela Maraccinida CNN

    O jejum intermitente, prática caracterizada pela alimentação restrita por tempo, se popularizou como uma estratégia para o emagrecimento. No entanto, esse tipo de dieta pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares, segundo especialistas.

    O tema será abordado no “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” neste sábado (22). No programa, Dr. Roberto Kalil recebe o psiquiatra Tákis Cordás, coordenador do Ambulatório de Transtornos Alimentares do HC/SP (Ambulim), e a nutricionista Fernanda Pisciolaro, especialista em distúrbios metabólicos e risco cardiovascular.

    “[O jejum intermitente] funciona para algumas pessoas, com protocolo científico, e apenas por um tempo”, diz Cordás. “O que você vê, com as pessoas que fazem de qualquer jeito, é que isso vai levar a uma depressão, vai ter sintomas ansiosos, vai ter pânico, vai ter compulsão alimentar, vai começar a ter uma irritabilidade”.

    “Além disso, o ‘tentar fazer’ e se sentir frustrado por não conseguir, ou não ter o resultado que se esperava pode ser um gatilho para transtornos alimentares”, diz Pisciolaro.

    Quais são os principais transtornos alimentares e como identificá-los?

    Um transtorno alimentar é caracterizado por alterações persistentes nas refeições cotidianas ou nos hábitos alimentares. Segundo os especialistas, as três condições mais comuns são a anorexia, a bulimia e a compulsão alimentar.

    “A doença é a perda de liberdade de escolher. Eu não consigo mais escolher se vou comer muito, ou se vou comer pouco. Eu estou encarcerado dentro de uma situação. Quando eu estou encarcerado e perdi a liberdade de me alimentar, acho que a gente começa a falar em doença”, explica Cordás.

    Nem sempre é fácil detectar o transtorno, mas cada condição apresenta características próprias que servem de sinais de alerta. Segundo Cordás, uma pessoa com anorexia, por exemplo, pode passar o dia todo à base de um único gomo de laranja. “A anorexia é a doença psiquiátrica que mais mata no segmento de 20 anos, 15 anos”, diz o psiquiatra, referindo-se a suicídio, desnutrição e outras complicações de saúde.

    Já a bulimia é um pouco diferente. “Você tem mulheres que passam o dia fazendo muita dieta, com muito rigor e, de repente, têm uma grande compulsão. Um paciente assim é capaz de comer numa compulsão 5, 6 ou até 8 mil calorias”, afirma.

    Por outro lado, a compulsão alimentar é caracterizada pelo consumo de uma quantidade exacerbada de comida, seguida de uma sensação de perda de controle. “Não é o desejo de comer. É o desejo de ‘quero parar e não consigo’. Mas um episódio de compulsão alimentar isolado faz parte da vida da gente. Torna-se um transtorno quando esses episódios são recorrentes e somados a outras características”, explica Pisciolaro.

    A nutricionista explica, ainda, quais são os sinais de alerta para os transtornos alimentares.

    “Um fator que é muito presente é a insatisfação corporal. Então, é preciso prestar atenção ao quanto esse corpo ganha de evidência. Por exemplo, uma pessoa que se pesa com muita frequência, que fala muito sobre o próprio corpo, que se incomoda muito com o corpo de outras pessoas, inclusive, pode ser um sinal”, elenca.

    Segundo a especialista, também é muito comum tentativas de restringir a alimentação ou grupos alimentares específicos, além de ter medo de determinadas comidas.

    Crianças e adolescentes também são afetados pelos transtornos alimentares

    Juntos, os transtornos alimentares podem atingir cerca de 5% da população brasileira, segundo estimativas de Cordás. A compulsão alimentar afeta homens e mulheres. Mas a anorexia e a bulimia seguem sendo uma doença majoritariamente feminina.

    “Uma parte importante do desenvolvimento dessa doença tem a ver com aspectos sociais, de cobrança social, uma exigência de corpo magro, que é uma exigência para as mulheres”, diz Pisciolaro.

    Mas elas não são as únicas afetadas. “Crianças também podem ter transtornos alimentares. Adolescentes também e é uma faixa de risco importante, inclusive”, acrescenta.

    A nutricionista explica que, entre os jovens, há uma característica que pode dificultar a identificação do problema. “É comum que adolescentes se mantenham comendo alimentos que os amigos comem. Então, come um sorvete, uma batata frita, mas em quantidades muito reduzidas e evitando outros alimentos no dia”.

    Além disso, Cordás alerta que a compulsão alimentar não tratada na adolescência pode levar à obesidade. Segundo o psiquiatra, é alto o índice de pessoas com compulsão alimentar entre os candidatos a cirurgia bariátrica.

    Segundo os especialistas, o tratamento dos transtornos alimentares deve ser multidisciplinar, envolvendo diferentes profissionais de saúde. Eventualmente, dependendo do caso, também é necessária a utilização de medicamentos, que podem tratar desde a compulsão, até remédios para melhorar o quadro de saúde mental como suporte ao transtorno alimentar.

    O “CNN Sinais Vitais – Dr. Kalil Entrevista” vai ao ar no sábado, 22 de junho, às 19h30, na CNN Brasil.

    Transtornos alimentares: bulimia, anorexia e compulsão