Koné fora da Copa: entenda fratura na perna de jogador do Canadá
Médico detalha o que pode causar lesão deste nível e o processo de recuperação de meses

O jogador do Canadá, Ismael Koné, está fora da Copa do Mundo após quebrar a perna esquerda na partida contra o Catar, nesta quinta-feira (17). Segundo um médico especialista, a recuperação pode durar até seis meses, mas vai além da correção da fratura.
Koné fraturou a tíbia e a fíbula no lance. Bruno Canizares, ortopedista e traumatologista do esporte, explica que a tíbia é o principal osso de sustentação para o peso do corpo, responsável por transmitir praticamente toda carga entre joelho e tornozelo.
Já a fíbula serve para fornecer estabilidade ao tornozelo, sendo um importante ponto de inserção para vários músculos e ligamentos da perna. Segundo Canizares, uma fratura desse nível só é possível com um impacto muito forte, como acontece no futebol.
É o tipo de lesão que acontece depois de um trauma com uma energia muito alta. Principalmente no futebol quando tem uma divida muito forte com pé preso no gramado, enquanto o corpo continua em movimento. Foi o caso do Koné, que ainda estava girando, tornando uma lesão com um impacto muito grande no osso.
O médico explica que, principalmente para um atleta profissional, o tratamento para a lesão é cirúrgico, com a colocação de uma haste intramedular na tíbia. Além disso, na maior parte dos casos, são inseridos placa e parafuso na região da fíbula para a estabilidade da perna e do tornozelo.
Apesar da gravidade, o especialista reforça que a recuperação costuma não ter intercorrências. "A fratura tem ótimo prognóstico, ela consolida super bem e o osso cola facilmente."
Por outro lado, o grande desafio para Koné será todo o processo até o retorno aos gramados. "Não é só a cicatrização do osso, mas é recuperar toda a força muscular, a mobilidade do joelho e do tornozelo, além da confiança para o atleta voltar a um alto rendimento".
Mas quando Koné deve voltar a jogar?
Para Canizares, depende do padrão da fratura: se ele teve alguma lesão de pele, qual foi o grau de desvio, se tiveram outras lesões associadas com ligamentos, articulação ou cartilagem.
"Como parece ter sido uma fratura bem no meio do osso, costuma ter menos complicações. Pelas imagens iniciais, a gente fala em 4 a 6 meses para ele voltar a competir", avalia o médico, que explica que, em casos mais complexos, a recuperação total pode levar de 8 a 12 meses.
Após a cirurgia, Koné vai entrar em um longo processo de recuperação total da perna. "Ele deve ter um acompanhamento multidisciplinar na reabilitação. Não é só o osso colar, é preciso garantir que ele volte a desempenhar no mesmo nível." E completa: "E minimizar o risco de novas lesões e reduzir fraquezas musculares, mantendo o equilíbrio muscular e a mobilidade das articulações, permitindo que ele volte com segurança", diz o especialista.
Lesão no segundo jogo da Copa
No início do segundo tempo, o camisa 8 do Canadá recebeu uma entrada de Madibo, que ocasionou a lesão. O lance gerou desespero imediato dentro de campo, com jogadores das duas equipes levando as mãos à cabeça ao perceberem a gravidade da situação.
Enquanto Koné recebia atendimento médico, atletas do Canadá se reuniram no gramado, visivelmente abalados. O atacante Jonathan David chegou a chorar durante a paralisação.
Retirado de campo de maca, Koné deixou o gramado sob aplausos da torcida presente em Vancouver. O episódio também provocou uma confusão entre integrantes dos bancos de reservas das duas seleções.


