Líquen escleroso vulvar: o que é e como tratar

Doença crônica causa coceira, dor e alterações na pele genital; entenda sintomas, riscos e as opções de tratamento indicadas por especialistas

Simone Machado, colaboração para a CNN Brasil
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O líquen escleroso vulvar é uma doença de pele crônica e inflamatória que afeta principalmente a região genital, causando coceira intensa, dor, manchas esbranquiçadas e afinamento da pele. Embora seja mais comum em mulheres após a menopausa, também pode ocorrer em homens e em pessoas de qualquer idade, incluindo crianças.

A condição não é contagiosa e ainda não possui uma causa completamente esclarecida, mas fatores autoimunes, hormonais e genéticos podem ter relação.

“Na minha prática clínica vejo uma forte associação a fatores imunológicos. Observamos essa patologia associada a outras patologias imunológicas como lúpus, doença de crown e outras dermatites, assim como fatores hormonais, já que observamos uma maior prevalência em pacientes na menopausa. Outras causas menos comuns que poderíamos sugerir como causa seriam traumas ou procedimentos na região específica e alterações no metabolismo”, detalha Jardel Pereira Soares, ginecologista e obstetra.

Os sintomas, segundo os especialistas, costumam surgir de forma gradual e, em muitos casos, a coceira persistente leva a lesões e fissuras na pele, tornando as relações sexuais dolorosas e aumentando o risco de infecções locais.

Em quadros mais avançados, o líquen escleroso pode causar cicatrizes, alterações anatômicas e estreitamento da abertura vaginal. Especialistas alertam que, sem tratamento, há um risco aumentado de desenvolvimento de câncer de vulva em uma pequena parcela dos casos.

“Estudos mostram que, quando a paciente é acompanhada, o risco diminui muito. Geralmente, o risco de transformação para o câncer ocorre em aproximadamente 5% dos casos de líquido escleroso. Então, uma coisa importante é que o tratamento ajuda a diminuir o risco de evoluir para o câncer”, explica Adriana Bittencourt Campaner, presidente da Comissão Nacional Especializada em Trato Genital Inferior da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia).

O diagnóstico é feito por um ginecologista ou dermatologista, geralmente com base na avaliação clínica e, em algumas situações, na biópsia da área afetada. O tratamento envolve o uso de corticoides tópicos, indicados para reduzir a inflamação e controlar os sintomas.

Além disso, é essencial manter uma rotina de cuidados com a pele da região, como evitar sabonetes agressivos, usar roupas íntimas de algodão e evitar fricção excessiva.

“O líquen escleroso não tem cura, mas a gente consegue controlar bastante. Mesmo que os sintomas melhorem, geralmente mantemos o uso de corticóide uma vez por semana eternamente, porque a gente precisa manter essa paciente para evitar o risco de evoluir para o câncer”, acrescenta Campaner.