Consumo de bebidas alcoólicas aumenta durante a pandemia, diz levantamento

Entre os brasileiros que consomem as bebidas alcoólicas, 17% relataram ter passado a beber mais no período

Lucas Janoneda CNN

no Rio de Janeiro

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Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig) mostra que 55% da população brasileira tem o hábito de consumir bebidas alcoólicas, sendo que 17,2% delas declararam aumento do consumo durante a pandemia de Covid-19, associado a quadros de ansiedade graves por conta do isolamento social.

De acordo com o levantamento, uma em cada três pessoas no país consome álcool pelo menos uma vez na semana. O consumo abusivo de bebidas alcóolicas foi relatado por 18,8% dos brasileiros ouvidos na pesquisa. Os dados foram levantados com base na resposta de 1,9 mil pessoas, espalhadas pelas cinco regiões do país.

O estudo mostra ainda que, em média, os brasileiros ingerem três doses de álcool por ocasião, o que representa 450 ml de vinho ou três latas de cerveja. Para a especialista em doenças e em transplantes de fígado, Liana Codes, o consumo da população brasileira é acima do recomendado pelos órgãos de saúde.

“O resultado nos mostra que a população tem um consumo importante de álcool, com frequência e numa quantidade significativa a cada ocasião. O consumo considerado adequado é não mais do que 14 gramas – que equivale a uma dose 45 ml de destilado, 150 ml de vinho ou uma lata de cerveja, por dia” disse Liana Code à CNN.

“É importante que a população se atente para o consumo consciente de álcool, para que a médio e longo prazo não tenhamos um aumento significativo dessas complicações”, completou a especialista.

Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) detalham também que o consumo abusivo do álcool cresce no Brasil, particularmente entre as mulheres. Segundo o estudo, as pessoas do sexo feminino são ‘mais susceptíveis’ a desenvolver cirrose e hepatite alcoólica.

Ainda segundo o Cisa, a cirrose hepática ultrapassou o número de mortes por embriaguez ao volante e se tornou a principal causa de mortes atribuída ao álcool no país. Enquanto o problema hepático representou 18,5% das mortes atribuíveis ao uso de álcool, os acidentes de trânsito corresponderam a 16,4% dessas mortes.

“No último ano, há uma tendência de aumento de consumo entre as pessoas do sexo feminino. As mulheres são mais susceptíveis a desenvolver cirrose e hepatite alcoólica, por questões fisiológicas. O uso de mais de uma dose padrão de álcool por dia pode desencadear a doença hepática”, destacou o presidente da Ibrafig, Paulo Bittencourt.

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