Mais de 30% dos bebês mortos por Covid no Brasil não tiveram acesso a UTI

Do começo da pandemia, em março de 2020, até o dia 11 deste mês foram registrados 10.165 casos do coronavírus em bebês

Carolina Figueiredo, da CNN em São Paulo

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Um terço das 846 crianças de até dois anos que morreram por Covid-19 no Brasil não foram admitidas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para tratar a doença por falta de leitos. Segundo dados do Observatório Obstétrico Brasileiro COVID-19, dos bebês vítimas do coronavírus no país, 32,5% não tiveram acesso a UTI e 38% não passaram por intubação.

As UTIs e a utilização de respiração mecânica, por meio da intubação, são dois dos principais recursos para cuidar de pacientes graves da Covid-19. 

De acordo com o observatório. na região Norte o número ainda cresce e é o pior do país — 38,5% não puderam ir pra UTI  e 46,8% não foram intubados. 

 

Do começo da pandemia, em março de 2020, até o dia 11 deste mês foram registrados 10.165 casos do coronavírus em bebês, com 846 mortes. Os recém nascidos são as maiores vítimas, com 245 mortes registradas. 

Pai com bebê no colo
Pai com bebê no colo
Foto: Wes Hicks / Unsplash

 

Os dados foram compilados pelo Observatório Obstétrico Brasileiro COVID-19, que conta com pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Engenharia de Sorocaba (FACENS), e estão disponíveis em um painel que analisa casos de Covid-19 de crianças com até 730 dias de vida notificados no SIVEP-Gripe.  

Segundo o presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri, as crianças representam apenas 0,33% dos mortos pela Covid-19 no Brasil. De acordo com os números, somente 0,1% dos casos envolve menores de 1 ano de idade; 0,05% crianças de 1 a 5 anos; e 0,18% aquelas com idade entre 6 e 19 anos. 

“Crianças continuam a transmitir pouco e a serem menos acometidas pela Covid-19, especialmente em suas formas mais graves. Porém, é essencial que permaneçam seguindo as orientações já preconizadas pela SBP, inclusive, considerando os ambientes escolares”, afirma Kfouri.

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