‘Mais uma oportunidade’, diz infectologista sobre aval de testes com vacina

Anvisa aprovou realização de testes com imunizante desenvolvido pela Johnson & Johnson

Layane Serrano

Da CNN, em São Paulo

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Em entrevista à CNN, Júlio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz, comentou sobre os testes na fase três da vacina da Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson, que foi autorizada nesta terça-feira (18) pela Anvisa e sobre a pesquisa sueca que afirma que algumas pessoas podem ser imunes ao novo coronavírus mesmo sem ter contraído anticorpos. 

O estudo da vacina da Johnson & Johnson, segundo a nota da Anvisa, contará com sete mil voluntários só no Brasil nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Norte.

De acordo com o Júlio Croda, mais uma vacina em teste no Brasil é mais uma oportunidade de se identificar qual vacina será a ideal para a população, mas ele ressalta a importância do acesso para todos.

“Sobre a vacina da Johnson, eu acho que é mais uma oportunidade de testar uma vacina nova aqui no Brasil. É importante a gente entender como essa vacina funciona principalmente na nossa população, mas é importante também entender que a autorização da testagem não significa transferência de tecnologia e produção no Brasil. Não significa que vamos ter garantia de oferta dessa vacina a um preço justo para toda a população. Essa negociação tem que ser feita via governo federal e via laboratórios públicos. É importante sim ser testado, mas não necessariamente o acesso está garantido”, disse.

Questionado sobre qual das quatro vacinas parece ser a mais promissora, o pesquisador comenta que é necessário ter os resultados da pesquisa na fase 3 para só depois checar a essa conclusão.

“É muito difícil essa pergunta. Ainda não temos nenhum teste de eficácia, ou seja, não sabemos se a vacina funciona. O FDA, Agência Reguladora Americana, estabelece que os estudos têm que ter pelo menos 50% de eficácia e a gente precisa dos resultados dos estudos na fase três para identificar essa porcentagem. Existem rumores de que as vacinas de adenovírus produzem uma resposta de imunidade robusta e de que seriam mais adequadas do que as de vírus inativado. Mas o que vai garantir mesmo a eficácia são os estudos da fase três, mas ainda não temos dados sobre esses estudos.”

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Com a vacina da Johnson & Johnson, o Brasil agora conta com testes de quatro vacinas, além dos imunizantes desenvolvidos em Oxford, a Coronavac e a da Pfizer. 

“Nos estudos da fase três, sabemos que existem diferenças genéticas entre as populações. Com os testes sendo realizados aqui, a gente garante que aquela eficiência que precisamos ter acima de 50% seja obtida na nossa população. Assim, vamos poder comparar as diferentes vacinas em termos de eficácia com o nosso background genético, ou seja, como a maioria das vacinas estão sendo testadas no Brasil, vamos conseguir mensurar como a população brasileira irá responder as diferentes vacinas”, argumenta sobre a importância do Brasil participar desses estudos.

Croda também comentou sobre um estudo sueco, que vê potencial de defesa em células T. e explica que de acordo com o estudo, algumas pessoas podem ser imunes ao novo coronavírus: 

“Na verdade, esse estudo sueco identifica uma resposta celular, que é a principal resposta, porque é ela que elimina o vírus. A resposta de anticorpos para organismos intracelulares ela é mais deficitária. Por isso, com base nesta pesquisa, podemos concluir que algumas pessoas podem ser imunes sem ter adquirido esse novo coronavírus, ou porque adquiriram o coronavírus do passado ou porque adquiriram outras infecções que garantem uma resposta imunológica adequada. A gente vê isso na prática, na sua casa às vezes você tem duas pessoas que adquiriram a doença e um pessoa que está em exposição frequente e não adquiriu a doença”, finaliza Croda. 

 

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