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    Mandetta diz que falta de equipamento de proteção impede flexibilizar isolamento

    Ministro da Saúde afirma que indústria de produção de insumos estava centrada na China e foi fragilizada pela pandemia

    Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva em Brasília
    Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante entrevista coletiva em Brasília Foto: Adriano Machado - 25.mar.2020/ Reuters

    Guilherme Venaglia

    Da CNN, em São Paulo

    O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), afirmou nesta quarta-feira (1º) que a principal preocupação das autoridades públicas em saúde é a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) disponíveis para serem adquiridos pelo Brasil.

    O panorama limita o crescimento da capacidade de atendimento do sistema de saúde e obriga o país a reduzir cada vez mais a velocidade de disseminação do novo coronavírus. Assim, essa falta dos insumos de saúde, na visão do ministro, inviabiliza a flexibilização das políticas de isolamento social.

    “O nosso problema é que esse vírus foi extremamente duro e derrubou, machucou, inutilizou, parou, a produção dos equipamentos de proteção individual que os hospitais utilizam no mundo todo. Há uma falta de equipamentos de proteção individual”, disse Mandetta, ressaltando que a China, principal produtor desses equipamentos, é também o epicentro da COVID-19.

    O ministro da Saúde afirma que uma preocupação especial é que esses insumos não são necessários apenas para o novo coronavírus e que o aumento excessivo no consumo pode dificultar o atendimento a outras doenças nos hospitais brasileiros.

    “Por isso, que eu recomendo que nós façamos o máximo de desaceleração dessa dinâmica social para que nós possamos, ao menos, abastecer esse país”, disse. “Se não redobrar os esforços, nós vamos ter problemas de EPI”.

    Para diminuir o impacto, Mandetta afirma que o governo estuda formas de reaproveitar alguns insumos. Máscaras do tipo N95 devem ser reesterilizadas para poderem ser utilizadas mais de uma vez pelo mesmo profissional. O ministro voltou a pedir que brasileiros que possuam caixas fechadas desse tipo de insumo que façam a doação para o sistema de saúde.

    Cloroquina
    O ministro da Saúde afirmou que só trabalha com “critério técnico e científica”, enquanto existem pessoas que se baseiam em “critérios políticos”. A fala foi feita após ser questionado sobre um encontro entre o presidente Jair Bolsonaro e médicos, que discutiu o uso da cloroquina em pacientes com COVID-19.

    “Eu só trabalho com critério técnico e científico. Opiniões, só trabalho com a academia, com o que é ciência. Agora, existem as pessoas que trabalham com critérios políticos, que são importantes. Deixe que eles trabalhem, não me ofende em nada”, disse.

    Mandetta afirmou que não há estudo científico consolidado recomendando o uso desse medicamento para pacientes com o novo coronavírus e afirmou que a cloroquina pode causar arritmia cardíaca. O remédio tem sido tema das falas do presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto. Inicialmente, foi tratado como “cura” pelo presidente, que depois recuou e passou a falar em resultados animadores sobre seu uso.

    Quarentena
    A discussão sobre as medidas de isolamento social protagonizou o debate político no Brasil nas últimas semanas. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), diferentemente de Mandetta, defende que as medidas sejam flexibilizadas para reduzir os impactos sobre a economia brasileira.

    O Palácio do Planalto defende a adoção de uma prática chamada de “isolamento vertical”, em que apenas os grupos de risco, como idosos e portadores de doenças crônicas, sejam mantidos apartados.

    Esse assunto foi trazido ao ministro por uma pergunta durante a entrevista coletiva. Jornalista citou caso de uma mulher de 87 anos que morreu em Santarém (PA) com COVID-19 mesmo estando acamada há 10 anos. Ela teve contato com pessoas que viajaram para outros estados.