Menos de 30% das crianças no Brasil tomaram a segunda dose contra a Covid-19

Em relação à primeira dose, esse percentual sobe para 60%. São Paulo, Piauí e Minas Gerais lideram o ranking de doses aplicadas

Helena VieiraFilipe BrasilDanilo Moliternoda CNN

Rio de Janeiro

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Um levantamento da agência CNN mostra que, até o momento, 27,8% das crianças de 5 a 11 anos tomaram a segunda dose contra a Covid-19 no Brasil. Em relação à primeira dose, o percentual é de 60,9%.

São Paulo lidera o ranking de estados que mais imunizaram esse público: 90,3% das crianças paulistas foram vacinadas com a primeira dose. Em seguida, aparecem Piauí (84,5%) e Minas Gerais (69,5%). Em todo o país, foram aplicadas, neste público, 20.707.411 de doses, sendo 12.613.384 primeiras doses e 5.752.246 segundas doses.

Os estados que menos vacinaram essa faixa etária foram Roraima, onde 20,1% das crianças tomaram a primeira dose do imunizante, seguido de Rondônia (24,9%) e Tocantins (28,6%). O percentual de crianças imunizadas com a segunda dose em todo o país varia entre 5%, registrado em Roraima, e 50,1% em São Paulo. O Estado do Rio de Janeiro vacinou 49,6% do público infantil com a primeira dose e 21,2% com a segunda.

Raphael Guimarães, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, afirma que a baixa vacinação entre as crianças de 5 a 11 anos em diversos estados brasileiros prejudica o alcance da meta de vacinação no país, já que esse público representa cerca de 10% da população brasileira.

“Esse ritmo de vacinação é muito desacelerado, preocupante. Com quatro meses, era esperada uma cobertura vacinal muito maior. E já que esse grupo representa quase 10% da população, a vacinação lenta entre elas dificulta também o alcance da meta nacional de imunização”, diz o pesquisador.

Além disso, o especialista aponta que o baixo índice de imunização das crianças deixa esse grupo em situação de vulnerabilidade em relação à doença.

“Há uma clara disparidade dessa faixa etária em relação às outras. Por exemplo, o segundo grupo com menos porcentagem de aplicação da primeira dose está entre 40 e 44 anos e eles têm 82,5% de vacinação, muito maior do que na faixa entre 5 e 11. Quando olhamos para segunda dose, é pior ainda. Esse cenário deixa as crianças em uma situação dramática, porque o vírus vai passar a circular muito mais entre elas, já que estão menos protegidas”, afirma o pesquisador do Observatório Covid-19 da Fiocruz.

Guimarães cita ainda o esforço dos pesquisadores e divulgadores de ciência em combater as informações falsas em relação à vacina para crianças.

“Hoje temos uma guerra contra as notícias falsas. Estamos em um movimento para fazer a sensibilização das pessoas, porque a rede de disseminação de Fake News é muito forte. Tanto que mesmo pessoas com alto grau de escolaridade têm muita hesitação em vacinar os filhos, e isso compromete nossa capacidade de alcançar as metas de vacinação no país”, relata o pesquisador.

InfoGripe aponta que casos de SRAG ainda são predominantes em crianças

O Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (28), mostra que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) estão em queda em diversos estados brasileiros, mas ainda são predominantes nas crianças. Entre os dias 17 e 23 de abril, dos 3,5 mil casos de SRAG registrados, cerca de 1,7 mil foram no público de 0 a 4 anos.

O boletim indica que 44,3% do total de casos de SRAG, nas últimas quatro semanas, estão associados ao vírus sincicial respiratório (VSR), predominante em crianças de 0 a 4 anos. O rinovírus e o Sars-CoV-2 são os mais presentes no grupo de 5 a 11 anos. Os casos de Covid-19 vêm caindo entre os resultados positivos para vírus respiratórios em todo o país, chegando a 35,4% no último boletim.

Pesquisador do InfoGripe, Marcelo Gomes afirma que o maior número de casos de SRAG entre as crianças vem acontecendo desde o início de fevereiro.

“O número de casos de doenças respiratórias nas crianças caiu em janeiro, mas em fevereiro voltou a crescer com força. Agora estamos com cenário de alguns estados caindo, mas vários com crescimento ou em platô, ou seja, pararam de crescer, mais ainda estão estáveis”, afirma o coordenador do estudo.

Ainda de acordo com ele, a volta às aulas e o fim da obrigação do uso de máscaras nos espaços públicos impulsionou a circulação dos vírus entre as crianças.

“Essa combinação deixou as crianças mais vulneráveis e aumentou a propagação dos vírus. Isso tudo causou o predomínio de internações no grupo infantil, que está em quase metade do total de casos graves”, afirma o pesquisador.

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