Misturar vacinas da Covid-19 na 2ª e 3ª dose pode aumentar imunidade, diz pesquisador da Pfizer

Coordenador do teste clínico da vacina da Pfizer no Brasil afirma que misturar AstraZeneca com a Pfizer, por exemplo, pode ser bom contra novas variantes do vírus

Tamires Vitorioda CNN*

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Misturar vacinas contra a Covid-19 no momento da segunda ou da terceira dose pode aumentar a imunidade. É o que diz Cristiano Zerbini, coordenador do teste clínico da vacina da Pfizer no Brasil. “Duas doses da vacina da Pfizer dão 88% de proteção contra a variante Delta, por exemplo, enquanto duas da AstraZeneca, dão 77%. Agora, se você tomar uma da AstraZeneca e depois uma da Pfizer, você vai conseguir quase que a mesma proteção da Pfizer. Essa intercambialidade é boa”, afirmou Zerbini, em entrevista à CNN.

O mesmo deve valer para doses de reforço, amplamente discutidas não só no Brasil, como no mundo todo, com o surgimento de novas variantes do coronavírus. Pesquisas recentes realizadas pela Janssen mostram que a aplicação de uma dose extra da vacina da companhia, originalmente aplicada uma vez, pode aumentar os anticorpos em até nove vezes — sem, necessariamente, a primeira aplicação ter sido da vacina produzida pela farmacêutica belga. Isso indica que, em tese, quem tomou duas doses da Coronavac poderia tomar uma terceira da Janssen como reforço. Estudos ainda precisam ser feitos para confirmar a intercambialidade entre os dois imunizantes.

“Isso ainda não passou pela Anvisa. Mas sabemos que estudos feitos no exterior mostram que uma segunda dose produz anticorpos em números muito altos”, diz Zerbini.

Em relação à vacina da Pfizer, feita com o RNA mensageiro, a terceira dose de reforço da vacina contra a Covid-19 deve ser iniciada em setembro deste ano para idosos e imunossuprimidos.

Antes disso, no entanto, Zerbini faz um alerta: é preciso realizar campanhas de vacinação mais fortes e eficazes para que os brasileiros tomem a segunda dose das vacinas. A imunidade com apenas uma dose existe, mas é bastante inferior a das doses corretas. “A primeira dose dá uma boa imunidade, mas muito menor do que quando se toma a segunda dose. Precisamos pensar na aplicação da segunda dose e, principalmente, na terceira dose para idosos e pessoas imunossuprimidas — como quem teve câncer e está fazendo tratamento, quem está em diálise renal e quem teve doenças autoimunes”, afirma.

Em relação à dose de reforço, Zerbini calcula que o Brasil tem em torno de 4 milhões de pessoas com mais de 80 anos e “mais ou menos” 4 milhões de pessoas com um grau de imunossupressão. Outro passo urgente, para o especialista, é vacinar adolescentes e crianças. “Se não imunizarmos todo mundo, vamos gerar outras variantes — e isso será um problema grave”, afirma.

No momento de tomar a segunda ou a terceira dose, para Zerbini, a fabricante da vacina não importa. “A segunda dose ou a terceira dose podem ser dadas com a vacina disponível. E é importante que todos os brasileiros tomem pelo menos a segunda dose”, diz.

Para facilitar a produção das vacinas da Pfizer no Brasil, foi realizado um acordo com a Euroforma. Zerbini acredita que isso “facilitará a logística e poderá reduzir o preço do imunizante”. No ano que vem, segundo ele, podem ser iniciados testes de vacina contra a gripe baseados no RNA mensageiro.

*Produzido por Layane Serrano e Thiago Félix, da CNN São Paulo

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