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    MPF pede à Anvisa e Fiocruz dados sobre eficácia da vacina de Oxford em idosos

    Subprocuradora citou reportagem que dizia que a vacina de Oxford/AstraZeneca pode ser autorizada apenas para jovens na Europa

    Kenzô Machida, da CNN, em São Paulo



     

    A subprocuradora-geral do Ministério Público Federal, Célia Regina Souza Delgado, pediu informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitárias ( Anvisa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre a eficácia da vacina de Oxford em idosos.

    O ofício, a que a CNN teve acesso, considera que com a recente autorização da Anvisa para o uso emergencial da vacina produzida pela AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, o MPF solicita informações precisas da Agência e da Fiocruz no que se refere à sua eficácia para os idosos, tendo em vista a recente veiculação de notícias divergentes a esse respeito.

     

    No ofício, a subprocuradora citou uma reportagem publicada ontem no The Guardian que dizia que a vacina de Oxford/AstraZeneca pode ser autorizada apenas para jovens na Europa, porque não há dados suficientes sobre a eficácia do imunizante em pessoas com mais de 65 anos.

    Segundo o jornal, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) deve autorizar a vacina AstraZeneca no final desta semana. Em resposta ao The Guardian, a Aztrazeneca disse que 10% dos participantes dos ensaios tinham mais de 65 anos e que testes anteriores mostraram que pessoas com mais de 65 anos tinham resposta muito boa de anticorpos à vacina.

    O documento do MPF pede uma resposta o mais rápido possível e explica que as informações são de vital importância para a atuação segura dos membros do Ministério Público Federal e dos Ministérios Públicos estaduais de todo o país.

     

    A subprocuradora Célia Regina Delgado, é coordenadora do Giac (Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia Covid-19). O Giac articula ações do Ministério Público em todo o Brasil e, com frequência, solicita informações para acompanhamento de todas as medidas que têm relação com o combate à Covid-19.

    “Antes de solicitar informações técnicas à Fiocruz e à Anvisa, o Giac já havia questionado o Ministério da Saúde, que informou, com base em evidências científicas, que os dados estavam equivocados”. Acontece que, segundo nota do Giac, neste intervalo até a resposta da Saúde, uma publicação corrigiu suas informações enquanto uma outra trouxe dados semelhantes — o que motivou os pedidos de esclarecimentos à Fiocruz e à Anvisa.

    “O Giac colhe informações técnicas dos mais diversos órgãos cotidianamente. O pedido de informações visa otimizar o uso dos recursos disponíveis. Um exemplo do que o Ministério Público poderia fazer caso as informações sobre a eficácia se confirmassem seria recomendar ao poder público que utilizasse a vacina de Oxford/AstraZeneca nos profissionais de saúde, em geral mais jovens, e a Coronavac nos idosos. Antes de qualquer atuação, o Ministério Público deve colher informações técnicas e científicas, daí a solicitação aos órgãos competentes.”

    A Anvisa foi procurada oficialmente e confirmou que recebeu o ofício e esta trabalhando nos esclarecimentos solicitados pelo Ministério Publico Federal. A Fiocruz também foi procurada pela CNN, mas não respondeu até a publicação desta notícia.