Na lista do SUS desde novembro de 2020, remédios contra câncer ainda não são fornecidos

Medicamentos são eficazes contra cânceres de pele, pulmão, rim e ginecológicos; Ministério da Saúde, porém, não estabeleceu critério para aquisição das drogas

Isabelle Resendeda CNN

no Rio de Janeiro

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Embora constem na lista de medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o atraso de mais de um ano na disponibilização de dois imunoterápicos para tratamento do melanoma não cirúrgico – um tipo agressivo de câncer de pele – pode comprometer a cura e abreviar a vida de três mil pacientes com a doença.

Incorporados na lista do SUS desde novembro de 2020, os medicamentos Pembrolizumabe e Nivolumabe custam, em média, R$ 17 mil e R$ 4 mil, respectivamente, mas desde a aprovação pela Comissão da Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), o Ministério da Saúde ainda não definiu como será feita a aquisição dessas drogas.

Os medicamentos também são eficazes no tratamento do câncer de pulmão, de rim e ginecológico.

A Fundação Oncoguia, que defende os direitos de pacientes com câncer, enviou um ofício ao Ministério da Saúde pedindo uma explicação pela demora na liberação dos medicamentos, mas não obteve resposta.

A CNN também entrou em contato com a pasta e aguarda um posicionamento.

O que o Ministério da Saúde precisa estabelecer é se as compras dos remédios serão feitas diretamente pela pasta ou via autorização de procedimentos ambulatórios, a chamada APAC.

Nesse caso, a unidade de saúde, mediante autorização do Ministério da Saúde, recebe a verba para a compra dos remédios.

A presidente da Fundação Oncoguia, Luciana Holtz explica que essas drogas são atualmente as mais promissoras e eficazes para o tratamento de melanoma. Segundo ela, esse tipo de demora é determinante para salvar a vida de muitos pacientes ou mesmo estabilizar a doença.

O melanoma é um tipo de câncer de pele em que as células que compõem esse órgão crescem de forma descontrolada. A incidência dessa doença aumentou nas últimas décadas, e, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer, no Brasil são registrados anualmente cerca de 6.260 novos casos, com 1.794 óbitos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada ano são diagnosticados 132 mil novos casos de melanoma no mundo. Esse é considerado o tipo mais grave e com maiores chances de provocar metástases, quadros em que a doença se dissemina para outros órgãos.

O médico oncologista Rodrigo Munhoz ressalta que os dois medicamentos imunoterápicos aumentam em 45% a sobrevida de pacientes com melanoma metastático não cirúrgico. Além disso, também apresentam eficácia no combate a outros tipos de câncer como o de pulmão, renal e ginecológico.

“Os imunoterápicos revolucionaram o tratamento de pacientes com melanoma metastático. Eles estimulam o sistema imune a reconhecer e combater o câncer. Eles removem os escudos que o câncer usa para se proteger do ataque imunológico. Antes do desenvolvimento desses dois medicamentos a chance de um paciente com melanoma metastático estar vivo, em cinco anos, era de 10%“, explica o especialista.

De acordo com dados do Atlas da Mortalidade por Câncer do INCA, 1.978, sendo 1.159 homens e 819 mulheres morreram em decorrência da doença em 2019.

Sobre o melanoma, esse câncer de pele pode aparecer em qualquer parte do corpo, na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais.

Em pessoas de pele negra, ele é mais comum nas áreas claras, como palmas das mãos e plantas dos pés.

A doença pode surgir a partir da pele normal ou de uma lesão pigmentada e se manifesta após o aparecimento de uma pinta escura de bordas irregulares acompanhada de coceira e descamação.

Muitas vezes, a pessoa já tem as pintas e elas sofrem transformação (passam a crescer, por exemplo).

Em casos de uma lesão pigmentada pré-existente ocorre aumento no tamanho, alteração na coloração e na forma da lesão, que passa a apresentar bordas irregulares.

A detecção precoce do câncer, em estágios iniciais, possibilita maior chance de tratamento.

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