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    Não devemos subestimar, afirma Conass sobre varíola dos macacos

    A avaliação do Conselho é de que o diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adanon, tomou a medida correta ao decretar estado de emergência para a monkeypox

    Imagem de microscopia do vírus Monkeypox, que causa a varíola dos macacos
    Imagem de microscopia do vírus Monkeypox, que causa a varíola dos macacos National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID)

    Basília Rodriguesda CNN

    O presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), Nésio Fernandes, afirmou à CNN que o Brasil não deve subestimar riscos maiores da monkeypox. “O que sabemos do novo comportamento da monkeypox ainda é pouco, vamos precisar de mais tempo, pesquisa e estudos para entender o que está realmente acontecendo. Subestimar é o maior risco”, respondeu em contraponto ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que neste sábado (23) avaliou que o problema maior é na Europa.

    “Monkeypox é o (Ayrton) Senna correndo na chuva e nós somos o retardatário dando tchau para ele”, avaliou sobre o avanço da doença. Atualmente, o Brasil registra cerca de 700 casos, principalmente em São Paulo. Para Fernandes, que além de presidir o Conass também é secretário de Saúde no Espírito Santo, o governo federal mais uma vez será cobrado a assumir a coordenação das ações contra a doença, como ocorreu na pandemia pela Covid-19, e não poderá falhar.

    “A letalidade do monkeypox é baixa, não é como a da Covid. Isso quer dizer que não temos que ter vacina? Não! Doenças infectocontagiosas, imunopreveníveis não devem matar nenhuma pessoa. Nenhuma doença que tem vacinas e que já possui medidas incorporadas ao SUS é como a Covid-19. Nem a gripe, nem a pólio, nem o sarampo”, destacou.

    A avaliação do Conselho é de que o diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adanon, tomou a medida correta ao decretar estado de emergência para a monkeypox. “A decisão do Tedros não era consenso no grupo técnico da OMS, mas foi corajosa e necessária. Vai cumprir o papel de pautar o tema como deve ser pautado e permitir acelerar medidas concretas e consensos”.

    Leia as respostas do presidente do Conass:

    CNN: Qual a avaliação do senhor sobre a monkeypox?

    Nésio Fernandes: Monkeypox é o (Ayrton) Senna correndo na chuva e nós somos o retardatário dando tchau para ele. A decisão do Tedros (Adanon) não era consenso no grupo técnico da OMS, mas foi corajosa e necessária. Vai cumprir o papel de pautar o tema como deve ser pautado e permitir acelerar medidas concretas e consensos. O que sabemos do novo comportamento da monkeypox ainda é pouco, vamos precisar de mais tempo, pesquisa e estudos para entender o que está realmente acontecendo. Subestimar é o maior risco.

    CNN: Para integrantes do governo, não há possibilidade de pandemia, dizem que monkeypox e covid-19 são doenças diferentes. Qual avaliação do senhor?

    Fernandes: Claro que são doenças diferentes, mas não por isso devem merecer a mesma negligência. Ambas devem ter resposta adequada dos sistemas de saúde por meio de coordenação nacional. A letalidade do monkeypox é baixa, não é como a da Covid. Isso quer dizer que não temos que ter vacina? Não! Doenças infectocontagiosas, imunopreveníveis não devem matar nenhuma pessoa. Nenhuma doença que tem vacinas e que já possui medidas incorporadas ao SUS é como a Covid-19. Nem a gripe, nem a pólio, nem o sarampo.

    CNN: O SUS está preparado para esta nova doença?

    Fernandes: Se o SUS está preparado? O SUS foi construído para responder às emergências de saúde pública, cabe a coordenação nacional do Sistema assumir a responsabilidade, liderar e preparar o país para enfrentar mais uma carga de doença que se sobrepõe às outras já conhecidas do sistema de saúde. Não podemos criar um parâmetro para mensurar novos problemas com base no desastre epidemiológico da Covid-19. Não seria adequado. Por isso a comunicação de risco precisa ser clara e honesta com a magnitude e características dos problemas, sem confusão e inadequadas comparações.