“Não realizar Réveillon é medida de segurança”, diz coordenador de SP

João Gabbardo afirmou à CNN que acredita que "a grande maioria dos gestores públicos" não promoverá festas de fim de ano

Leonardo Lopesda CNN

em São Paulo

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Ao menos 16 capitais brasileiras decidiram não fazer festa de Réveillon neste ano devido à atual situação da pandemia de Covid-19. O coordenador-executivo do Centro de Contingência da Covid-19 de São Paulo, João Gabbardo, afirmou à CNN que não promover a festa de fim de ano “é uma medida de segurança que reduziria bastante nossos riscos”.

Apesar da posição do coordenador, São Paulo está entre as capitais que informaram à CNN que a festa de Réveillon será mantida este ano.

Em entrevista ao CNN Novo Dia, Gabbardo destacou que estamos em um “momento ímpar” da pandemia em relação às orientações das autoridades.

“Pela primeira vez temos um “alinhamento das estrelas”. O Ministério da Saúde emitiu uma nota, de certa forma inédita, recomendando uso de máscaras, o distanciamento social e a vacinação. O próprio presidente está, de uma forma inédita, sugerindo que não se faça Carnaval. E os gestores públicos estaduais e municipais, em sua grande maioria, têm se manifestado por não promover ou cancelar esses eventos”, comentou o coordenador.

Por essa “orientação quase que única e uniforme”, João Gabbardo acredita que a “grande maioria dos gestores” não vão promover essas festividades que possam provocar aglomeração. “Alguém que queira fazer esse tipo de festa, deve analisar muito bem se vale enfrentar o risco nesse momento da pandemia”, argumentou.

Em relação ao temor provocado pela detecção de dois casos da variante Ômicron do coronavírus em São Paulo, o coordenador do Centro de Contigência relembrou que a variante Delta não teve grandes impactos no Brasil. “Temos expectativa de que isso possa ocorrer novamente [com a Ômicron]”, disse.

Pelo risco de alta transmissibilidade associado à nova cepa, Gabbardo afirmou que o Comitê Científico de São Paulo teve uma primeira reunião ontem, e está estudando os dados disponíveis para possivelmente reavaliar a decisão do governo estadual de flexibilizar o uso de máscaras a partir de 11 de dezembro. “Só tomaremos essa medida [de reavaliar flexibilização] caso efetivamente haja necessidade”, declarou.

“Em relação ao risco das vacinas não serem efetivas contra essa variante, esse risco sempre acontece quando uma variante com alta disseminação aparece, como foi a Delta, a Gama. Isso é um risco que nós ainda temos que estudar melhor, e acompanhar para ver qual o nível de proteção as vacinas darão”, complementou Gabbardo.

Ele destacou que principal medida que deveria ser adotada no momento é a exigência de passaporte sanitário aos estrangeiros que chegam ao país, para que tenham que comprovar sua vacinação contra a Covid-19. Além disso, Gabbardo também destaca a necessidade de se realizar a testagem nos aeroportos brasileiros ou antes do embarque, para evitar que assintomáticos disseminem o vírus.

“É muito difícil fazer isso. O número de pessoas, o número de aeroportos com voos internacionais são muito grandes. Não é fácil fazer essa medida, mas seria adequado”, afirmou.

Relembre como foi a “Virada da Vacina” em São Paulo:

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