Nova variante com mutações pode estar circulando em BH, alertam pesquisadores

Estudos apontam a presença de um conjunto de 18 mutações nunca antes descritas em genomas de Covid-19 

Anna Gabriela Costa, da CNN, em São Paulo

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Um alerta para uma possível nova variante de SARS-CoV-2, identificada na cidade de Belo Horizonte, foi enviado por uma equipe de pesquisadores que sequenciou 85 genomas de amostras clínicas coletadas da região metropolitana da capital mineira.

A pesquisa está sendo conduzida pelo Laboratório de Biologia Integrativa do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Pardini, em colaboração com o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Prefeitura de Belo Horizonte.

Os estudos identificaram dois novos genomas com uma coletânea de mutações ainda não descrita, apresentando a possível nova variante de Covid-19, conforme divulgação do estudo nesta quarta-feira (7). 

Os resultados apresentaram um aumento progressivo das variantes de preocupação como  a P.1, P.2 e B.1.1.7, na região de estudo.

Segundo os pesquisadores, ds 85 genomas sequenciados, as seguintes linhagens foram encontradas: P.1 (30 amostras; 35,29%), P.2 (41 amostras; 48,23%), B.1.1.28 (8 amostras; 9,41%), B.1.1.7 (3 amostras; 3,53%), B.1.1.143 (1 amostra; 1,17%), B.1.235 (1 amostra; 1.17%) e B.1.1.94 (1 amostra; 1.17%).

As variantes P.1, P.2 e B.1.1.7 possuem mutações críticas no gene codificante da proteína de espícula viral (S), como E484K ou N501Y, contribuindo no aumento da transmissibilidade e no escape imunológico.

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Foto: ALLAN CALISTO/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO

A equipe destaca que a mutação N501Y, presente nas linhagens P.1 e B.1.1.7, foi recentemente associada ao aumento de aproximadamente 60% no risco de mortalidade em indivíduos infectados no Reino Unido.

Dois dos 85 genomas avaliados, provenientes de amostras não relacionadas geograficamente, demonstram a presença de um conjunto único de 18 mutações nunca anteriormente descritas em genomas de SARS-CoV-2. 

Estudos genéticos demonstram que esses dois novos genomas, provavelmente oriundos da antiga linhagem B.1.1.28 circulante na primeira fase da pandemia na cidade, apresentam mutações em diversas regiões do genoma, incluindo novas mutações nas posições E484 e N501 compartilhadas pelas variantes de preocupação P.1, P.2, B.1.1.7 e B.1.1.351.

Os dois novos genomas foram identificados em amostras coletadas nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2021 e não existem evidências de ligação epidemiológica entre ambas, como parentesco ou região residencial, o que reforça a possibilidade de circulação desta nova possível variante, mostram os estudos.

As amostras foram investigadas no período entre 28 de outubro de 2020 e 15 de março de 2021.

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