Novas variantes da Covid-19 exigem alerta, diz Fiocruz

Fundação ressalta que medidas de reabertura e a variante Delta causam intensa circulação do vírus

Vacinação contra a Covid-19 em Porto Alegre
Vacinação contra a Covid-19 em Porto Alegre Cristine Rochol/Prefeitura de Porto Alegre

*Mylena Guedesda CNN

no Rio de janeiro

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O Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quarta-feira (25), destaca que apesar do declínio no número absoluto de casos e mortes pelo vírus, os serviços de vigilância em saúde precisam ficar em alerta com o avanço de novas variantes.

O estudo, que observou a semana epidemiológica entre os dias 15 e 21 de agosto, ressalta que a taxa de testes positivos segue em nível elevado, o que mostra a intensa circulação do vírus, que se deve principalmente à expansão da variante Delta, principalmente no Rio de Janeiro, e a retomada de diversas atividades.

À CNN, o pesquisador Raphael Guimarães, da Fiocruz, afirma que este ainda não é o momento de relaxar e que a situação ainda pode ser alterada.

“O avanço da variante Delta e o eventual surgimento de outras variantes pode reverter o declínio dos indicadores, tanto do número de casos como o número de mortes. Hoje a gente não tem nenhuma cepa que a princípio seja mais agressiva para o corpo humano, mas temos variantes com maior potencial de multiplicação. Ou seja, se ela encontra pessoas mais vulneráveis ou aglomeração, claro que ela vai resultar em uma maior capacidade de infecção. Isso, inevitavelmente, faz com que tenha pequenas explosões de casos, o que é grave”, alerta.

Em relação à semana anterior, houve um aumento de 0,6% da média diária de novos casos, já a média de óbitos teve queda de 1,5% no período.  Em todo o país, as taxas de ocupação de leitos de UTI seguem apresentando um cenário geral positivo. Somente o estado de Roraima apresenta taxa de ocupação de leitos de UTI superior a 80%.

Devido à proteção adquirida pela vacinação, a circulação de novas cepas tem causado infecções, mas não necessariamente um aumento no número de casos graves na mesma proporção.

Contudo, os pesquisadores voltam a reforçar que os imunizantes não impedem completamente a transmissão do vírus e, por isso, ainda é necessário o uso de máscara e o distanciamento social.

“Para a gente conseguir dizer que estamos bloqueando a circulação do vírus, a gente precisa de uma cobertura vacinal bastante elevada, na casa de, no mínimo, 70%. Hoje, não chegamos nem nos 25%. Ou seja, por um tempo, ainda é fundamental adotar medidas de proteção para impedir a circulação. A aglomeração permite que o vírus fique circulando por mais tempo, exposto aos agressores ambientais, o que propicia o surgimento de novas variantes”, alerta Guimarães.

No Brasil, o boletim indica um lento avanço da vacinação contra o vírus, com uma média de um milhão de doses aplicadas por dia. A capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS), no entanto, pode chegar a dois milhões de doses por dia, número que já foi alcançado alcançada algumas vezes.

De acordo com o painel do Ministério da Saúde, cerca de 125.284.000 pessoas receberam a primeira dose, enquanto aproximadamente 56.624.456 pessoas estão imunizadas com a segunda dose ou dose única do imunizante.

*Sob supervisão de Isabelle Resende

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