Novo exame de sangue pode prever Alzheimer anos antes, diz estudo
Moléculas de RNAs circulares são capazes de prever o início da doença, superando a eficácia de métodos tradicionais de diagnóstico precoce

Um novo tipo de exame de sangue pode conseguir prever o início dos sintomas de Alzheimer anos antes por meio de material genético, segundo um estudo publicado na Nature Medicine, no início de julho.
Na pesquisa, financiada pelo NIH (Institutos Nacionais de Saúde dos EUA), pesquisadores demonstraram que níveis elevados de certos RNAs circulares (circRNAs) no sangue quase triplicaram o risco de os pacientes desenvolverem sintomas.
Essa mudança sugere que essas moléculas são mais sensíveis ao início da manifestação clínica do que os biomarcadores tradicionais da doença, possibilitando a criação de um exame mais eficaz no diagnóstico precoce e previsão de sintomas.
Entenda o exame
De acordo com o NIH, os exames de sangue realizados atualmente para diagnosticar o Alzheimer são confiáveis, já que detectam marcadores de placas amiloides, uma característica marcante da doença.
Esses testes podem apresentar resultados positivos até décadas antes do comprometimento cognitivo causado pela doença, porém, não conseguem informar sobre como a possível progressão da doença.
Ao contrário das placas amiloides, usadas atualmente, que se acumulam lentamente no cérebro, os circRNAs são mais dinâmicos e refletem a atividade cerebral mais recente.
A nova pesquisa revela bases para elaborar um tipo de exame que poderia, potencialmente, prever o início dos sintomas do Alzheimer.
Em um ambiente clínico, ser capaz de identificar pacientes que estão prestes a manifestar os sintomas seria inestimável. Ter essa informação poderia nos ajudar a selecionar os pacientes certos para ensaios clínicos e determinar melhor quais tratamentos são eficazes na prevenção do declínio cognitivo
O Dr. Carlos Cruchaga, autor correspondente do estudo, realizou uma pesquisa anterior com membros da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis, onde associaram os circRNAs do cérebro à demência e à gravidade neuropatológica.
Para descobrir se essas moléculas tinham potencial clínico, eles precisavam verificar se essas associações se mantinham nos circRNAs que circulam no sangue, um tecido muito mais acessível. Assim, analisaram dados sanguíneos de mais de 1.200 pessoas de múltiplos grupos de estudo independentes, encontrando um conjunto de 34 circRNAs associados ao Alzheimer.
Os modelos de previsão baseados nessas associações identificaram com sucesso indivíduos com a patologia de Alzheimer, com desempenho semelhante ao de modelos baseados nos dados da proteína pTau217, principal biomarcador sanguíneo utilizado clinicamente para a doença. Apesar de semelhantes, o novo modelo de circRNA superou o modelo da pTau217.
Os 34 circRNAs encontrados são preditores mais fortes da progressão do paciente para o Alzheimer sintomático, com experimentos adicionais mostrando que seus níveis parecem se desviar do normal (prevendo sintomas) cerca de dois a quatro anos antes do início início real dos sintomas.
Os resultados podem ser essenciais para que os médicos identifiquem candidatos para novos tratamentos, mas também podem ajudar a monitorar sua resposta terapêutica, especialmente no caso de medicamentos que têm como alvo as placas amiloides.
Pacientes tratados com novas terapias de remoção de beta-amiloide (Aβ) podem se tornar negativos para pTau, mas ainda assim ter a doença de Alzheimer. Esses RNAs circulares podem nos dar uma perspectiva mais completa da biologia geral da doença de alguém
Agora, em parceria com colaboradores comerciais, os pesquisadores estão desenvolvendo ensaios clínicos práticos para a detecção de circRNAs no sangue.
*Sob supervisão de AR.


