Número de tabagistas em tratamento no SUS reduz em mais de 60% durante a pandemia

De acordo com levantamento feito pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), a maior queda foi registrada na região Sudeste

Dia Mundial sem Tabaco chama atenção para o combate ao fumo durante a pandemia de Covid-19
Dia Mundial sem Tabaco chama atenção para o combate ao fumo durante a pandemia de Covid-19 Foto: Getty Images/Rattanakun Thongbun/EyeEm

Isabelle Resendeda CNN

no Rio de Janeiro

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Dados do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) indicam uma redução de 66% no número de fumantes em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS), durante o ano de 2020 em relação a 2019. Entre as regiões brasileiras, a maior queda provocada pela pandemia foi no Sudeste, com 68%. A região Nordeste registrou 66%, seguida do Centro Oeste (63%), Sul (62%) e Norte (59%).

De acordo com a psicóloga Vera Borges, da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a pandemia interferiu diretamente no tratamento desses pacientes, que deixaram de ir aos hospitais. “Com as unidades de saúde atendendo quase que exclusivamente casos de Covid-19, algumas pessoas evitaram a ida e a permanência em instituições de saúde”, apontou.

A expectativa da instituição é de que o número de atendimentos aos tabagistas no SUS seja ampliado e volte ao patamar anterior à pandemia. O relatório produzido pelo Inca revela ainda que, apesar da pandemia, cerca de 68 mil tabagistas procuraram atendimento no início do ano passado em todo país.

“O tabagismo é uma doença crônica e também é fator de risco para outras enfermidades importantes e que são as principais causas de mortalidade da população, como as cardiovasculares, as respiratórias e o câncer”, destaca Liz Almeida, coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca.

No Brasil, o tabagismo mata 162 mil pessoas por ano. Cerca de R$ 125 bilhões são gastos dos cofres públicos anualmente para cobrir despesas com doenças causadas pelo cigarro. Esse custo equivale a 23% do que o Brasil gastou, em 2020, com o enfrentamento à Covid-19.

O alto custo do tabagismo não inclui os gastos do SUS para tratar a dependência de nicotina, considerada uma das medidas médicas mais efetivas quando comparada com o tratamento das doenças causadas pelo uso de produtos do tabaco.

“A Reforma Tributária, em debate no Congresso Nacional, representa uma oportunidade para acrescer o efeito do aumento de preços e impostos sobre tabaco como indutor da cessação de fumar e na prevenção da iniciação no tabagismo entre crianças e adolescentes. Também representa uma oportunidade para vincular recursos para garantir a implementação plena da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco no Brasil, incluindo a ampliação da cobertura do tratamento para cessação de fumar para as populações de menor renda e escolaridade, que concentram as maiores prevalências de fumantes”, reforça Tânia Cavalcante, secretária executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco.

O consumo do tabaco e a exposição à sua fumaça são fatores de risco para doenças crônicas, o que leva a 8 milhões de mortes no mundo anualmente.

“Parar de fumar sempre vale a pena, em qualquer momento da vida, em especial, durante a pandemia de uma doença respiratória grave, para a qual o tabagismo é um fator que pode aumentar o risco de complicações e morte”, reforça a especialista.

Campanha e eventos

Em celebração ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, comemorado em 29 de agosto, o Inca fará uma série de debates sobre o tema no canal da instituição no Youtube.

Nesta quarta-feira (25), será apresentada a campanha “A melhor escolha é não fumar”, desenvolvida em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Além disso, os especialistas vão detalhar dados do relatório Tratamento do Tabagismo no SUS durante a Pandemia de Covid-19.

No dia 27, o Inca participa da audiência pública promovida pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados com o tema: “Reforma Tributária: um mecanismo para corrigir as distorções entre o que o Estado gasta em decorrência das doenças tabaco relacionadas e o que arrecada com impostos incidentes sobre produtos de tabaco”. A transmissão será feita pelo Canal da Câmara dos Deputados, no YouTube.

No próximo dia 31, às 9h30, o Inca e a Associação Médica Brasileira (AMB) apresentarão o seminário online “Abordagem Mínima na Cessação do Tabagismo”. E para encerrar a programação, no dia 2 de setembro, o instituto vai divulgar as cartilhas do PNCT que foram áudio descritas por meio da parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow (Cefet) – “Projeto Tá na Rede” -, e a Universidade Federal Fluminense (UFF) – “Projeto Olhos Meus”.

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