O que se sabe sobre Febre do Nilo Ocidental; SP e SC já registraram casos

Embora vírus causador da infecção seja uma das arboviroses mais disseminadas em todo o mundo, transmissão em humanos no Brasil é considerada rara

Vitor Bonets, colaboração para a CNN Brasil, em São Paulo
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O avanço dos diagnósticos de Febre do Nilo Ocidental no Brasil acendeu o alerta das autoridades de saúde. Até o momento, o Ministério da Saúde confirmou quatro casos da doença em humanos no país. Dois são em São Paulo e dois em Santa Catarina. Além disso, a pasta investiga um possível caso no Piauí.

Embora o vírus causador da infecção seja uma das arboviroses mais disseminadas em todo o mundo, a transmissão em humanos na realidade brasileira é considerada rara e não ocorre de forma contínua ou persistente no país.

Casos confirmados

Em Santa Catarina, foram confirmados dois casos. O primeiro evoluiu para o óbito de uma paciente de 77 anos, moradora de Imbituba. O segundo registro foi de um homem de 56 anos, residente em Caçador, que chegou a ser internado, mas recebeu alta médica.

Ambos os pacientes apresentaram graves manifestações neurológicas associadas à infecção. 

Já no estado de São Paulo, as autoridades confirmaram dois casos em território paulista. Os registros ocorreram no interior, sendo de uma mulher de 34 anos, moradora de Ribeirão Preto, e uma jovem, de São José do Rio Preto, que está internada sob cuidados médicos.

A origem do contágio nos dois casos paulistas segue sob investigação pelas equipes de saúde, com diagnósticos confirmados por exames laborais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Como ocorre a transmissão?

A Febre do Nilo Ocidental é classificada como uma zoonose. O vírus da doença é transmitido principalmente por meio da picada de mosquitos infectados, em especial do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo comum. 

O ciclo se mantém na vida silvestre entre insetos e aves silvestres, que funcionam como os hospedeiros naturais e amplificadores do vírus.

Os mosquitos se contaminam ao se alimentarem dessas aves infectadas e, posteriormente, transmitem o vírus ao picar seres humanos, equinos (cavalos), macacos e outros mamíferos.

O vírus não é contagioso, ou seja, não passa diretamente de pessoa para pessoa, nem de aves diretamente para humanos.

No entanto, o Ministério da Saúde aponta que existem formas mais raras de contágio relacionadas ao contato direto com o sangue, como transfusão de sangue, transplante de órgãos, transmissão transplacentária (da mãe para o feto durante a gestação) e aleitamento materno. 

Sintomas e complicações

De acordo com as autoridades de saúde, a maioria das infecções é assintomática. Apenas cerca de 20% dos indivíduos infectados desenvolvem sintomas, que na maioria dos casos são considerados leves e se assemelham aos de outras arboviroses conhecidas, como a dengue. 

Alguns dos sintomas são febre aguda acompanhada de mal-estar geral, dor de cabeça e dores musculares, náuseas, vômitos, perda de apetite, dor atrás dos olhos, manchas vermelhas pelo corpo e aumento dos linfonodos.

Por outro lado, em um pequeno número de infectados, a doença pode atingir o sistema nervosos central, que pode evoluir para quadros neurológicos severos de meningitem encefalite ou paralisia flácida aguda.

Os sintomas de gravidade neurológica envolvem fraqueza muscular extrema, alterações no padrão mental e alteração de consciência. O risco de evolução para o óbito e de desenvolvimento de sequelas neurológicas permanentes é significamente maior em idosos, indivíduos imunossuprimidos, pacientes oncológicos e transplantados.

Tratamento e prevenção

Atualmente, não existe tratamento antiviral específico ou remédio direcionado para curar a Febre do Nilo Ocidental. Quando o paciente apresenta um quadro leve a moderado, usam-se medidas de suporte como hidratação rigorosa e medicamentos sintomáticos para controle de febre e diminuição da dor. 

Já nos casos mais graves com complicações neurológicas, é necessário que o paciente seja tratado sob cuidados intensivos em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Também não há vacinas aprovadas para uso em humanos contra a doença. Diante disso, as principais estratégias concentram-se em ações individuais de prevenção e no contole de vetores. 

Entre elas estão o uso regular de repelentes de insetos, instalação de telas protetoras em portas e janelas, uso de roupas compidas para diminuir a exposição da pele, eliminação de focos de água parada, evitar o manuseio de animais mortos e manter ambientes limpos.