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    O que se sabe sobre os casos de gripe aviária H5N1 em humanos no Camboja

    De 2003 a 2023, um total de 873 casos humanos de infecção por influenza A (H5N1) e 458 mortes foram relatados em 21 países

    Quase todos os casos de infecção por influenza A (H5N1) em humanos foram associados a contato próximo com aves infectadas
    Quase todos os casos de infecção por influenza A (H5N1) em humanos foram associados a contato próximo com aves infectadas Divulgação/Opas

    Lucas Rochada CNN

    em São Paulo

    O Camboja, na Ásia, registrou dois casos de infecção em humanos pelo vírus da gripe aviária, influenza A (H5N1). A notificação foi feita à Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 23 de fevereiro e uma investigação de surto está em andamento.

    Estes são os dois primeiros casos de gripe aviária H5N1 relatados no Camboja desde 2014. Em dezembro de 2003, o país asiático relatou um surto da doença pela primeira vez afetando aves selvagens. Desde então, e até 2014, casos humanos devido à transmissão de aves para humanos foram esporadicamente relatados no país.

    A infecção por H5N1 em humanos pode causar doença grave, com uma alta taxa de mortalidade.

    Detalhes dos casos

    O primeiro caso confirmado era de uma menina de 11 anos, da província de Prey Veng, no Sul do Camboja. Ela apresentou sintomas no dia 16 de fevereiro e recebeu tratamento em um hospital local. No dia 21, a paciente foi internada no Hospital Pediátrico Nacional com pneumonia grave.

    Uma amostra foi coletada no mesmo dia através do sistema sentinela de infecção respiratória aguda grave. O resultado do teste de diagnóstico molecular, feito pelo Instituto Nacional de Saúde, foi positivo para o vírus influenza H5N1. A amostra também foi enviada ao Instituto Pasteur do Camboja, o Centro Nacional da Gripe, que confirmou a descoberta. A paciente morreu no dia 22.

    O Camboja compartilhou os dados de sequenciamento genético do vírus do caso por meio do banco de dados internacional Gisaid. A sequência mostra que o vírus H5N1 é semelhante ao grupo viral que circula em aves domésticas no Sudeste da Ásia desde 2014.

    Um total de doze contatos próximos do caso inicial foram identificados e amostras foram coletadas e testadas – a lista inclui oito pessoas próximas assintomáticos e quatro sintomáticos que atenderam à definição de caso suspeito. As investigações laboratoriais confirmaram o segundo caso em 23 de fevereiro, o pai da paciente que veio a óbito. Ele não apresenta sintomas e encontra-se em isolamento no hospital de referência. As outras 11 amostras testaram negativo para H5N1 e para o coronavírus.

    Até o último sábado (25), um total de 58 casos de infecção humana pelo vírus da gripe aviária A (H5N1) foram relatados no Camboja desde 2003, incluindo 38 mortes.

    Avaliação de risco da OMS

    Uma investigação conjunta de saúde animal e humana está em andamento na província do caso inicial para identificar a fonte e o modo de transmissão. Além disso, o governo do Camboja estabeleceu medidas para conter a propagação do vírus.

    Quase todos os casos de infecção por influenza A (H5N1) em humanos foram associados a contato próximo com aves infectadas, vivas ou mortas, ou ambientes contaminados.

    Com base nas evidências disponíveis até o momento, o vírus não infecta humanos facilmente e a propagação de pessoa para pessoa parece ser incomum. A OMS alerta que uma vez que o vírus continua a ser detectado em populações de aves, outros casos humanos são esperados.

    Sempre que os vírus da gripe aviária circulam em aves domésticas, existe o risco de infecção esporádica ou pequenos grupos de casos humanos devido à exposição a aves infectadas ou ambientes contaminados. De 2003 a 2023, um total de 873 casos humanos de infecção por influenza A (H5N1) e 458 mortes foram relatados globalmente em 21 países.

    Segundo a OMS, medidas de saúde pública de agências de saúde humana e animal foram implementadas, incluindo o monitoramento de contatos dos casos confirmados em laboratório.

    Embora a caracterização adicional do vírus desses casos humanos esteja pendente, as evidências epidemiológicas e virológicas disponíveis sugerem que os vírus A (H5) atuais não adquiriram a capacidade de transmissão sustentada entre humanos. O que significa que a probabilidade de disseminação sustentada de humano para humano é baixa. Com base nas informações disponíveis até o momento, a OMS avalia que o risco para a população em geral representado por esse vírus é baixo.

    No entanto, a avaliação de risco será revista conforme necessário, à medida que mais informações epidemiológicas ou virológicas estiverem disponíveis, afirma a OMS.

    As vacinas contra a gripe aviária A (H5N1) para uso humano foram desenvolvidas para uso pandêmico, mas não estão amplamente disponíveis. A OMS, por meio de seu Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza (GISRS, em inglês), monitora a evolução do vírus, realiza avaliações de risco e recomenda o desenvolvimento de novas candidatas a vacinas para fins de preparação para pandemias.

    Recomendações da OMS

    Dados os relatos de casos esporádicos de influenza A (H5N1) em humanos, a ampla circulação em aves e a natureza em constante evolução dos vírus da gripe, a OMS enfatiza a importância da vigilância global para detectar e monitorar alterações virológicas, epidemiológicas e clínicas associadas a doenças emergentes ou vírus influenza circulantes que podem afetar a saúde humana ou animal e compartilhamento oportuno de vírus para avaliação de risco.

    Quando os vírus da gripe aviária estão circulando em uma área, as pessoas envolvidas em tarefas de alto risco, como amostragem de aves doentes, abate e descarte de aves infectadas, e limpeza de instalações contaminadas devem receber treinamento sobre o uso adequado de equipamento de proteção individual adequado. A OMS orienta que todos os envolvidos nessas tarefas devem ser registrados e monitorados de perto pelas autoridades de saúde locais por sete dias após o último dia de contato com aves infectadas ou seus ambientes.

    No caso de uma infecção humana confirmada ou suspeita causada por um novo vírus influenza com potencial pandêmico, incluindo um vírus variante, uma investigação epidemiológica completa da história de exposição a animais, de viagens e contatos rastreamento deve ser realizada.

    A investigação epidemiológica deve incluir a identificação precoce de eventos respiratórios incomuns que possam sinalizar a transmissão de pessoa para pessoa do novo vírus. Além disso, amostras clínicas coletadas no momento e no local em que o caso ocorreu devem ser testadas e enviadas a um Centro de Colaboração da OMS para caracterização.

    Atualmente, não há vacina amplamente disponível para proteger contra a gripe aviária em humanos. A OMS recomenda que todas as pessoas envolvidas no trabalho com aves domésticas ou aves selvagens sejam vacinadas contra a gripe sazonal para reduzir o risco potencial de “rearranjos” virais.

    Viajantes para países com surtos conhecidos de gripe animal devem evitar fazendas, contato com animais em mercados de animais vivos, entrar em áreas onde animais podem ser abatidos ou contato com qualquer superfície que pareça estar contaminada com fezes de animais.

    As precauções gerais incluem lavagem regular das mãos e boas práticas de segurança e higiene alimentar. A OMS desaconselha a aplicação de quaisquer restrições de viagem ou comércio com base nas informações atuais disponíveis sobre os casos no Camboja. A OMS não aconselha a triagem especial de viajantes nos pontos de entrada ou restrições com relação à situação atual dos vírus influenza na interface homem-animal.