Ocupação de leitos de UTI está acima de 80% em 10 estados e Distrito Federal

Impulsionado pela variante Ômicron, Brasil vem registrando aumento diário na média móvel de mortes por Covid-19 desde 21 de janeiro

Paciente com Covid-19 é tratado em UTI de hospital em Porto Alegre.
Paciente com Covid-19 é tratado em UTI de hospital em Porto Alegre. Reuters/Diego Vara (14/01/2022)

Pedro OsorioLéo Lopesda CNN

em São Paulo

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O agravamento da pandemia impulsionado pelo avanço da variante Ômicron no Brasil levou dez estados e o Distrito Federal a uma ocupação de leitos de UTI acima da casa dos 80%.

Em seis estados (Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco e Rondônia) e no Distrito Federal, o percentual de 80% é ultrapassado somente na rede pública. Em outros três estados (Amapá, Rio Grande do Sul e Sergipe), essa situação é observada apenas na rede privada. No Piauí, o dado engloba ambos os setores.

Os dados são de um levantamento feito pela CNN junto às Secretarias de Saúde dos Estados.

As unidades da federação com maiores índices de ocupação são:

  • Distrito Federal – 95,29%
  • Mato Grosso do Sul – 97%
  • Sergipe – 93,21% 
  • Goiás – 88,13%
  • Pernambuco – 88%
  • Rondônia – 86,20%
  • Piauí – 85,70%
  • Mato Grosso – 85,49%
  • Amapá – 84,62%
  • Rio Grande do Sul – 82% 
  • Espírito Santo – 81,27%

Nesta quarta-feira (2), foram registrados 172.903 novos casos de Covid-19 e 893 óbitos decorrentes da doença, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

Desde 12 de janeiro o Brasil vem registrando aumento na média móvel de mortes por Covid-19. O patamar atual, de 650 mortes por dia, é o mais alto desde 31 de agosto do ano passado.

Média móvel é a média dos últimos sete dias. A métrica é utilizada para evitar distorções causadas pelas subnotificações nos finais de semana.

No total, o Brasil acumula 25.793.112 casos de Covid-19 e 628.960 óbitos decorrentes da doença desde o início da pandemia.

“É preciso abrir mais leitos”

No dia 31 de janeiro, quando o Brasil registrou o recorde de 1 milhão de casos semanais de Covid-19, a especialista em gestão de saúde pública, Lígia Bahia, avaliou à CNN que ainda há potencial de expansão da variante Ômicron do coronavírus pelo país – especialmente em direção ao interior.

Para a especialista, é necessário “se antecipar” a esse novo movimento da pandemia a fim de prevenir colapsos nos sistemas de saúde, seja nas enfermarias ou nos Centros de Terapia Intensiva (CTI).

“Temos um prognóstico mais favorável, a gente imagina que já tenha platô [de casos] nas cidades, mas a Ômicron está interiorizando. Uma pandemia tem uma dinâmica. O que a gente precisa fazer é se antecipar a ela: como sabe que está se interiorizando, temos que abrir leitos nesses locais”, declarou.

Para a especialista, ainda falta “coordenação, planejamento e capacidade de antecipar uma resposta” por parte dos sistemas de saúde.

Crescimento da variante Ômicron no Brasil

Para especialistas ouvidos pela Agência Fapesp, o fato de o número de internações e mortes por Covid-19 não estar crescendo na mesma proporção deve-se mais à imunidade prévia da população – seja pela vacinação ou por infecções anteriores – do que às características intrínsecas do vírus.

“Nos indivíduos não vacinados a doença não é tão leve, podendo causar óbitos e lesões importantes. A questão é que esse vírus tem encontrado um hospedeiro diferente, que já não é virgem de exposição”, afirma o médico Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Esta também é a opinião de Elnara Negri, pneumologista do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. “É uma variante muito parecida com as anteriores. A questão é que no Brasil a gente tem a felicidade de ter uma população com uma boa cobertura vacinal. O único paciente que precisei intubar nesta onda, até o momento, não era imunizado. E ele desenvolveu uma pneumonia por SARS-CoV-2 com trombose de microcirculação clássica. Na grande maioria dos atendidos, a doença teve um curso bom e considero a vacina a grande responsável”, diz.

O infectologista Esper Kallás, da Faculdade de Medicina da USP, destaca que nos locais em que a cobertura vacinal é mais baixa o número de hospitalizados por pela doença tem aumentado de forma significativa.

Brasil já vacinou 70% da população

De acordo com dados da Agência CNN, o Brasil superou a marca de 70% de sua população vacinada com duas doses ou dose única contra a Covid-19.

São mais de 364 milhões de doses já foram aplicadas em todo o país.

Enquanto isso, 23% dos brasileiros já receberam também a dose de reforço, aplicada quatro meses após a conclusão do ciclo vacinal.

Segundo o Ministério da Saúde, 21 milhões de pessoas podem reforçar a imunização em fevereiro.

* Elizabeth Matravolgyi, Henrique Andrade e Kaluan Bernardo, da CNN, e Karina Toledo, da Agência Fapesp, contribuíram para esta reportagem

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