Ômicron gera “nova reflexão” sobre flexibilização das máscaras, diz Ludhmila Hajjar

Em entrevista à CNN, médica afirmou que Brasil precisa focar em "minimizar possíveis danos" enquanto mais informações sobre a nova variante não são divulgadas

Giovanna GalvaniFelipe Andradeda CNN

em São Paulo

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O surgimento da variante Ômicron fez com que países e organizações entrassem em alerta nos últimos dias. Estimativas de que esta poderia ser uma cepa ainda mais transmissível devido ao número de mutações identificadas por cientistas na África do Sul tem causado restrições a voos internacionais – mas, no Brasil, a nova variante deve gerar “reflexões” sobre as flexibilizações ao uso de máscaras.

A avaliação foi feita à CNN pela médica Ludhmila Hajjar, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e chefe da UTI de Covid do Hospital das Clínicas.

“Quando estamos falando de uma doença viral, sempre que surge uma nova variante, no momento em que você a detecta já existem milhares de pessoas contaminadas. É possível que haja uma nova reflexão no sentido de adotar medidas restritivas”, declarou Hajjar.

“Mesmo sem a nova cepa, já estávamos discutindo esse ponto. Não temos 80% da população vacinada, vamos entrar nas festas de fim de ano, tem o carnaval. Será que é o momento de flexibilizarmos tudo, incluindo o uso de mascaras, um elemento tão simples?”, questionou a médica.

As informações disponíveis sobre a variante Ômicron até o momento são motivo de preocupação, avaliou Hajjar, que destacou a quantidade de mutações da nova cepa – cerca de 30 vezes maior do que a variante Delta, apontada como a responsável pela terceira onda da Covid-19 na Europa – como um possível desafio para os atuais índices de vacinação global e para a eficácia dos imunizantes.

Para Hajjar, o momento exige que o Brasil comece a “se cuidar” para “minimizar os possíveis danos” da variante. “O mundo todo tem que tomar medidas rápidas. O surgimento de uma nova variante, às vezes, não conseguimos deter, mas nossa capacidade é de minimizar possíveis danos”, afirmou.

A médica também refletiu sobre as taxas de vacinação no mundo e sobre a desigualdade no acesso aos imunizantes – o que, por possibilitar uma maior circulação do vírus entre pessoas sem defesas imunológicas, possibilita maiores chances para a ocorrência de mutações.

“O coronavírus é um vírus espiculado, que tem na sua parede a proteína spike, que faz com que o vírus entre na célula. As vacinas e novos antivirais tem capacidade de bloquear a spike na célula do individuo. Essa proteína, se sofrer mutação, vai enganar o sistema imunológico”, explicou.

“Toda vez que o vírus está a vontade, no que ele passa de um individuo para o outro, aumenta capacidade de sofrer alterações na sua estrutura”, disse.

Por isso, Ludhmila Hajjar aconselha que haja um novo incentivo para a vacinação contra a Covid-19 em vez de um sentimento de “pânico” entre a população.

“Tivemos um pais devastado economicamente e socialmente, conseguimos um controle da doença, redução significativa de mortes, liberação de leitos para outros pacientes de doenças que continuam a existir”, disse.

“A vacinação é a principal medida efetiva no combate ao coronavírus. Não vencemos essa pandemia, ela ainda assola todo o mundo, mas o Brasil deu importantes passos nos últimos meses. Precisamos do empenho da população”, complementou.

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