Ômicron se espalha mais rápido do que qualquer outra variante da Covid, diz OMS

Tedros Adhanom ainda aponta que a tendência de considerar a cepa como 'leve' é ​​preocupante

Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante cerimônia em Genebra
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante cerimônia em Genebra 18/10/2021 Fabrice Coffrini/ Pool via REUTERS

Ivana Kottasováda CNN*

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A variante Ômicron do coronavírus está se espalhando a uma taxa não vista com as cepas anteriores, alertou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, acrescentando que a tendência de considerá-la leve é ​​preocupante.

Em entrevista coletiva na terça-feira (14), Tedros disse que a variante já foi detectada em 77 países.

“A realidade é que a Ômicron provavelmente está na maioria dos países, mesmo que ainda não tenha sido detectada”, acrescentou.

Autoridades britânicas alertaram que o país enfrenta uma “onda gigantesca” de infecções causadas pela Ômicron. A cepa da Covid-19 se tornou dominante em Londres, superando a anterior variante Delta.

Na segunda-feira (13), o Reino Unido reportou a primeira morte pela variante e nesta quarta-feira (15) relatou 78.610 novos casos do coronavírus, o maior número de casos diários desde o início da pandemia.

O recorde anterior de novas infecções diárias era de 68.053 em 8 de janeiro.

Como tem acontecido em toda a pandemia, os Estados Unidos estão atrás da Europa ao sentirem o impacto de uma nova variante.

A B.1.1.529 passou de responsável por 0,4% do vírus em circulação nos Estados Unidos na semana até 4 de dezembro para 2,9% na semana seguinte, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Mas as taxas já são bem maiores em Nova York e Nova Jersey. O CDC estima que 13,1% dos casos lá são causados ​​pela Ômicron.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, disse à CNN a nova cepa se tornará a variante dominante do coronavírus nos Estados Unidos, mas não está claro o que isso significará para os níveis de doença grave.

Embora os dados, especialmente da África do Sul, sugiram que a B.1.1.529 pode estar causando sintomas mais leves do que as variantes anteriores, especialistas em saúde pública enfatizam que é muito cedo para tirar conclusões concretas.

“Estamos preocupados que as pessoas estejam descartando a Ômicron como sendo leve. Certamente, nós aprendemos agora que subestimamos este vírus e o risco dele”, disse Tedros.

“Mesmo que a Ômicron cause doenças menos graves, o grande número de casos pode, mais uma vez, sobrecarregar os sistemas de saúde despreparados”, acrescentou.

Pesquisadores sul-africanos confirmaram na terça-feira (14) que as vacinas fornecem menos proteção contra a nova cepa, mas acrescentaram que ainda veem indicações de que a Ômicron causa sintomas mais leves do que as variantes anteriores.

Fauci disse que não está claro por que os sintomas são mais brandos na África do Sul, mas pode ser porque muitos na comunidade já foram infectados antes, então têm algum nível de proteção.

“Seja o que for, a doença parece ser menos grave, seja menos patogênica como um vírus ou se houver mais proteção na comunidade, só vamos saber quando e se dominar os Estados Unidos”, ele disse.

 

(Texto traduzido. Confira o original aqui)

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