Esteroides explicam a resposta bem-sucedida de Portugal ao novo coronavírus?

País usou corticoides em pacientes internados em estado grave para reduzir inflamação nos pulmões; estudo de Oxford mostra que método diminui risco de morte

Vasco Cotovio,
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Portugal parecia pronto para ser arrasado pela Covid-19, como um país com o menor número de leitos de UTI per capita na União Europeia. 

Mas, com 38.089 casos confirmados e apenas 1.524 mortes, de acordo com a contagem da Universidade Johns Hopkins, o oposto é verdadeiro até agora. 

Uma das razões por trás do relativo sucesso de Portugal poderia ser o uso de esteroides no tratamento de pacientes internados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva).

Um novo estudo da Universidade de Oxford descobriu que esse método para reduzir a inflamação nos pulmões pode reduzir o risco de morte em pacientes hospitalizados.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) também o considerou um avanço em potencial, mas os médicos do Centro Hospitalar da Universidade Central de Lisboa já tratam pacientes com corticoides (conhecidos como corticoterapia) há meses, de acordo com o chefe da UTI, doutor Nuno Germano.

“Com a corticoterapia, somos capazes de reduzir a inflamação e melhorar muito a função respiratória dos pacientes", disse. “Acho que a ventilação precoce, juntamente com a corticoterapia para tratar a inflamação nesses pacientes, nos permitiu usar a ventilação por 10 a 11 dias, no máximo. Vimos que em três dias já há uma melhora significativa na função respiratória e podemos começar a reduzir o suporte respiratório e extubar nossos pacientes", afirmou Germano.

Segundo o médico português, cerca de 60% dos pacientes ventilados em seu hospital foram tratados com esteroides – uma das várias ferramentas que ajudaram a sua equipe a manter o número de mortes de pacientes em UTI em cerca de 16%.

“Também temos uma equipe que faz atendimento ambulatorial e observa pacientes, para assim fazermos intubação e ventilação precoces", acrescentou.

Além das técnicas utilizadas nas UTIs, Portugal se beneficiou dos testes em massa e da rápida resposta do governo à ameaça do coronavírus, segundo o chefe de doenças infecciosas do mesmo hospital, o médico Fernando Maltez. 

“Para que essa estratégia fosse bem-sucedida, foi fundamental a declaração de estado de emergência pelo governo no momento oportuno”, disse Maltez, também elogiando a resposta dos serviços de saúde de Portugal.

Maltez e Germano contaram que o relaxamento das medidas contra o coronavírus aumentou o número de casos confirmados nas últimas semanas, principalmente em Lisboa e nos arredores. No entanto, disseram que até agora não viram um surto que sobrecarregasse os serviços de saúde.

(Texto traduzido, leia o original em inglês)