Pais podem ficar tranquilos com vacinação em crianças, diz Renato Kfouri, da SBIm

Membro da Sociedade Brasileira de Imunizações e Sociedade Brasileira de Pediatria reafirma o perfil de segurança da vacinação em crianças de 5 a 11 anos

Ingrid Oliveirada CNN

São Paulo

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o pedido da Pfizer para aplicação de doses da vacina contra a Covid-19 em crianças de 5 a 11 anos no Brasil.

Renato Kfouri, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), disse à CNN que “todo esse processo licenciamento de uma nova vacina, ou a extensão de seu uso para outras faixas etárias, requer uma análise de segurança e eficácia e um balanço entre o risco e benéfico.”

Kfouri aponta que as agências reguladoras europeias, canadenses, já tinham avaliado a vacina da Pfizer e entenderam que a relação era favorável. “A Anvisa fez sua análise e entendeu que os dados que temos hoje de eficácia em crianças e adolescentes eram suficientes para licenciar vacina.”

Ele destaca que a decisão da Anvisa foi correta porque foi baseada “nos mesmos critérios que utilizaram com a aprovação para adultos e isso traz esperança de proteção ainda maior.”

O especialista aponta que, apesar dos termos técnicos da decisão, o produto da vacina não é o mesmo.

As doses que serão aplicadas em crianças vão mudar. “Isso é um fenômeno comum das vacinas de maneira geral: quanto menor a de idade, a resposta do sistema imunológico é mais vigorosa. Por isso a gente usa dosagem menor, como a do HPV, por exemplo.” Ele explica que foram feitos testes com terços do imunizante para haver uma equivalência.

Outro ponto destacado pelo especialista foi que, o processo de aplicação não consiste em pegar vacina do adulto, dividi-la e aplicá-la em crianças. “Vem com outro frasco, outro volume e outra cor.”

Algo que foi uma exigência, segundo ele, “para haver um treinamento adequado com intenção de minimizar o risco de erros de aplicação.”

Kfouri pontua que apensar da apreensão de alguns pais, eles devem ficar tranquilos. Os efeitos colaterais são leves — como os habituais em outros imunizantes.

“Por enquanto o que se observou nos estudos é muita semelhança quando se comparou com 12 a 25 anos de idade. Febre, dor no local, eventos leves e passageiros de um ou dois dias. Nada preocupante.”

Ele acredita que a primeira dose deve estar disponível para aplicação no começo ano.

“Primeira etapa é a provação, segundo incorporação e terceiro a compra. Esperamos que isso ocorra o mais breve possível para começarmos a vacinar as crianças.”

O membro da SBIm diz que não há uma estratégia de imunização definida ainda. “Mas, assim que a aplicação das doses começar a ocorrer, garantirá proteção, especialmente nesse momento que a gente vive [da Ômicron].”

“Sempre que uma nova onda de Covid surgir, a carga da doença vai ser maior nos não vacinados — e nesse caso eram as crianças.”

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