Para Lottenberg, governo precisa levar a ciência a sério para superar a pandemia

O médico e presidente do Instituto Coalizão Saúde afirma que receitar cloroquina para todos os pacientes com o novo coronavírus é, "no mínimo, absurdo"

Da CNN, em São Paulo

Ouvir notícia

Em entrevista para a CNN na tarde desta sexta-feira (15), Claudio Lottenberg, médico e presidente do Instituto Coalizão Saúde, disse que enquanto o governo federal não entender que a questão da economia é uma consequência da pandemia e não levar a ciência a sério, a crise do novo coronavírus no país vai ficar ainda mais difícil.

“As medidas que temos que tomar para resolver uma pandemia são de natureza assistencial e epidemiológica e quem conhece mais isso que não um médico?”, disse. 

“O que está faltando é um plano sustentável, uma visão de governança estruturada, um plano de comunicação adequado e entendimento entre os diferentes níveis do governo”, continuou. 

O uso da cloroquina é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em todos os pacientes diagnosticados com a Covid-19. O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta acredita que a ampliação da utilização do medicamento depende de estudos científicos que comprovem sua eficácia. Já Nelson Teich, que pediu demissão da pasta hoje, com menos de um mês no cargo, já tinha demonstrado preocupação com os efeitos colaterais.

       Leia e assista também:

      Cotado para substituir Teich, Luiz Fróes é diretor de Saúde da Marinha

      Teich diz que escolheu sair e deixa Ministério da Saúde sem responder perguntas 

“Para a adoção de qualquer tipo de medicamento é preciso ter evidências científicas. E a evidência que esse medicamento tem um papel positivo em relação ao quadro da Covid-19 não é verdadeira, pelo menos por enquanto. Com todo o respeito ao presidente da República, sou obrigado a concordar com os ex-ministros Teich e Mandetta”, disse.

Para Lottenberg, colocar a medicação como via de regra para todos os pacientes é, “no mínimo, absurdo”. “Isso é uma decisão médica e não política”, afirmou.

 

Mais Recentes da CNN