Pesquisador diz que vacina Butanvac foi desenvolvida nos EUA

Butantan, porém, afirmou em nota que a produção da vacina é brasileira

Heloisa Vilela, da CNN, em Nova York

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O hospital Mount Sinai, de Nova York, afirmou que a Butanvac, anunciada pelo Instituto Butantan e pelo governo de São Paulo como “100% brasileira”, teve a pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos.

A informação foi divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmada pela CNN.

Peter Palese, diretor de microbiologia do Instituto Icahn, da escola de Medicina do hospital, disse à CNN que a arquitetura científica da vacina foi toda criada nos Estados Unidos e licenciada de graça para o Instituto Butantan, pois os pesquisadores procuravam instituições com condições técnicas e tecnológicas para produzir o imunizante.

O acordo foi feito com instituições na Tailândia e Vietnã, onde já começaram os testes da fase 1 com cerca de 100 pessoas, sem efeitos adversos até agora. Palese disse também que estão sendo pesquisadas possíveis mudanças na vacina para lidar especificamente com a variante brasileira, com resultados nas próximas duas ou três semanas. 

A vacina será toda produzida no Brasil, sem precisar que o país receba nenhum tipo de insumo ou produto.

Butanvac Instituto Butantan
O governo do estado de São Paulo anunciou a criação da Butanvac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente pelo Instituto Butantan
Foto: LECO VIANA/THENEWS2/ESTADÃO CONTEÚDO

Em nota, o Instituto Butantan afirmou que “a produção da Butanvac é 100% nacional, conforme anunciado”, que firmou parceria e tem “a licença de uso e exploração de parte da tecnologia desenvolvida pelo hospital Mount Sinai para obter o vírus”.

De acordo com a instituição, “o uso dessa tecnologia é livre do pagamento de royalties e pode ser feito por qualquer instituição de pesquisa em qualquer parte do mundo”. “Contudo, não se tem uma vacina apenas com essa tecnologia de obtenção do vírus. Nesse ponto começa o desenvolvimento da vacina completamente com tecnologia do Butantan”, disse o instituto em nota.

O Butantan informou que usará técnicas totalmente desenvolvidas no instituto nas etapas de “multiplicação do vírus, condições de cultivo, ingredientes, adaptação aos ovos, conservação, purificação, inativação do vírus, escalonamento de doses, estudos clínicos e regulatórios, além do registro”.

“A Butanvac é e será desenvolvida integralmente no Brasil e o consórcio internacional tem um papel importantíssimo na concepção da tecnologia e no suporte técnico para o desenvolvimento do imunizante”, afirmou o instituto. Segundo o Butantan, a vacina é “brasileira e dos brasileiros”.

O Butantan afirma ainda que a reportagem publicada pela “Folha de S.Paulo” traz um comunicado não oficial de um pesquisador da instituição norte-americana”, e que a instituição não autorizou a divulgação de seu nome em comunicados oficiais do Butantan sobre a vacina”. 

Segundo o Butantan, “comunicados conjuntos serão feitos pelos integrantes do consórcio no momento oportuno, incluindo a instituição citada”.

Leia na íntegra a nota divulgada pelo Instituto Butantan:

O Instituto Butantan esclarece que a produção da ButanVac, primeira vacina brasileira contra o novo coronavírus, será 100% nacional, conforme anunciado na manhã desta sexta-feira, 26/3, em coletiva de imprensa. 

Para isso, firmou parceria e tem a licença de uso e exploração de parte da tecnologia, que foi desenvolvida pela Icahn School of Medicine do Hospital Mount Sinai de Nova Iorque, para obter o vírus. O uso dessa tecnologia é livre do pagamento de royalties (royalty free) e pode ser feito por qualquer instituição de pesquisa em qualquer parte do mundo. Isso foi adotado para essa tecnologia com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus.

Contudo, não se tem uma vacina apenas com essa tecnologia de obtenção do vírus. Nesse ponto começa o desenvolvimento da vacina completamente com tecnologia do Butantan. Entre as etapas feitas totalmente por técnicas desenvolvidas pelo instituto paulista, estão a multiplicação do vírus, condições de cultivo, ingredientes, adaptação aos ovos, conservação, purificação, inativação do vírus, escalonamento de doses, estudos clínicos e regulatórios, além do registro.

É importante ressaltar que a ButanVac é e será desenvolvida integralmente no país, e o consórcio internacional tem um papel importantíssimo na concepção da tecnologia e no suporte técnico para o desenvolvimento do imunobiológico, algo imprescindível para uma vacina segura e eficaz.

No Brasil, o desenvolvedor da vacina é o Instituto Butantan. A vacina, portanto, é brasileira e dos brasileiros. A matéria publicada pela Folha de S. Paulo traz um comunicado não oficial de um pesquisador da instituição norte-americana. A instituição não havia autorizado a divulgação de seu nome em comunicados oficiais do Butantan sobre a nova vacina.

Comunicados conjuntos serão feitos pelos integrantes do consórcio no momento oportuno, incluindo a instituição citada pela Folha.

A vacina é do consórcio. A ButanVac é brasileira.

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