Pesquisadores brasileiros anunciam desenvolvimento de vacina contra coronavírus

Se tudo correr dentro do esperado, os testes da vacina em animais terão início nos próximos meses

Viajante veste máscara protetora no Aeroporto Internacional de Brasília, após ser reportado caso de coronavírus na capital federal
Viajante veste máscara protetora no Aeroporto Internacional de Brasília, após ser reportado caso de coronavírus na capital federal Foto: Adriano Machado-11.03.2020/Reuters

Iuri Pittada CNN

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Dois pesquisadores do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor), da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), anunciam neste domingo (15) o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus, chamado pelos cientistas de Sars-COV-2 e também conhecido como Covid-19.

O diretor do Laboratório de Imunologia do Incor e coordenador do projeto, Jorge Kalil, e o pesquisador responsável, Gustavo Cabral, trabalham em uma estratégia diferente da adotada por indústrias farmacêuticas e grupos científicos de outros países. Se tudo correr dentro do esperado, os testes da vacina em animais terão início nos próximos meses. O projeto tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A vacina brasileira é desenvolvida por meio de VLPs (Virus Like Particles, na sigla em inglês), o que significa produzir partículas semelhantes às do vírus. Elas são inoculadas com antígenos – substâncias que, depois de introduzidas no corpo humano, estimulam o sistema imunológico a produzir anticorpos contra o Covid-19. Pesquisas como a anunciada recentemente nos Estados Unidos utilizam outra técnica, chamada mRNA (RNA mensageiro).

Kalil explicou que o método utilizado é similar ao da vacina do HPV, mas com uma tecnologia mais avançada. A título de comparação, a vacina contra a gripe do H1N1 usa como estratégia a injeção do vírus inativado, ou destruído. “Essa técnica demora mais tempo para ser desenvolvida, porque é preciso comprovar que a doença não vai se manifestar”, disse o pesquisador à CNN Brasil. “Nossa técnica é mais moderna e mais rápida.”

Originalmente, o projeto sob responsabilidade de Cabral e coordenado por Kalil estava voltado à produção de vacina, por meio de VLPs, contra doenças como a causada pelo vírus zika. Com a pandemia do novo coronavírus, o projeto foi revertido para esta nova finalidade.

 

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