Plano de vacinação pode imunizar pessoas com perfil de 76% das mortes em SP

O total de vítimas fatais com mais de 60 anos de idade por Covid-19 chega a 126.533 pessoas em todo o país

Vital Neto e Alexa Meirelles, da CNN, em São Paulo

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Paciente com Covid-19 no Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre
Paciente com Covid-19 no Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre
Foto: Diego Vara/Reuters (19.nov.2020)

O plano de vacinação contra a Covid-19 do Governo de São Paulo, apresentado nessa segunda-feira (7), terá como alvo a imunização das pessoas com idade superior a 60 anos, perfil de 76,6% das mortes registradas por conta da doença no estado desde o início da pandemia, em março, de acordo com números compilados do DataSUS (Departamento de informática do Sistema Único de Saúde).

Os dados, atualizados em 30 de novembro mostram que a faixa etária com maior registro de óbitos é a de 70 a 79 anos, justamente aquela que está dentro do limite da expectativa de vida média dos brasileiros, 76,6 anos de idade, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As mortes por Covid-19 nessa faixa correspondem a 25,8% do total das mortes do estado e 25,9% das do país.

 

As demais faixas de idades acima de 60 anos registram respectivamente: 60 a 69 anos, 23,6% dos óbitos, 80 a 89 anos, 20,5% e acima de 90 anos 6,7%. Os números nacionais acompanham a mesma ordem, com pequena variação percentual.

Na outra ponta, os menores números de mortes por Covid-19 são entre as pessoas mais jovens, com menos de 10 anos de idade, representando apenas 0,1% do total do estado e 0,3% do Brasil.

 

Perfil que corresponde a mais de 10% das mortes foi deixado de fora

Os percentuais aumentam pouco a pouco até chegar à faixa de 50 a 59 anos, que corresponde a 12,9% das mortes e que não foi considerada na primeira fase do plano de vacinação divulgado pelo Governo Estadual.

De acordo com o censo do IBGE de 2010, 13,7% da população do estado de São Paulo teria hoje entre 50 e 59 anos de idade, aproximadamente três milhões de pessoas.

Fatores de risco mais comuns

Ainda de acordo com os dados compilados do DataSUS, os fatores de risco mais comuns em âmbito nacional são cardiopatias, 42% dos óbitos, diabetes, registradas em 32% das mortes, seguidos por problemas renais (6,9%), neurológicos(6,6%), pneumopatia (5,9%) e obesidade (5,7%).

Os números do estado de São Paulo são diferentes dos registrados no país, mas é necessário considerar que, no âmbito nacional, a maior parte dos pacientes não teve os dados preenchidos no Datasus.

O que chama a atenção, no entanto, é que de acordo com o sistema do SUS, 75,3% das vítimas da Covid-19 tinha ao menos um dos fatores de risco.

Em São Paulo, o boletim do 7 de dezembro informava que os principais fatores de risco são cardiopatia (59,9% dos óbitos), diabetes mellitus (43,3%), doenças neurológicas (10,9%), renal (9,4%), pneumopatia (8,3%).

Outros fatores identificados são obesidade (8,2%), imunodepressão (5,5%), asma (3,1%), doenças hepáticas (2,1%) e hematológica (1,7%), Síndrome de Down (0,4%), puerpério (0,1%) e gestação (0,1%).

 

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