Precisamos de indicadores para medir impacto das flexibilizações, diz epidemiologista

À CNN, ex coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues, defende que seja concluída a vacinação da população acima de 18 anos antes de passar para adolescentes

Produzido por Álvaro Gadelha* e Vinícius Tadeu*da CNN

em São Paulo

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Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 e a diminuição de mortes causadas pela pandemia, cidades estão flexibilizando as medidas restritivas e possibilitando a ampla abertura do comércio e setores de serviço. Para a epidemiologista e ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues, é natural este movimento frente ao desemprego e a necessidade da economia retomar, no entanto, ela orienta que o Brasil necessita aprimorar seu monitoramento a fim de coletar dados sobre o nível de transmissão do vírus.

“Neste momento, a gente precisa ter uma vigilância, uma inteligência epidemiológica que possa acompanhar se essa abertura vai conseguir fazer com que nós tenhamos aumento de casos. Nós precisamos ter indicadores que possam medir rapidamente se essa abertura vai impactar no número de doença.”

Domingues explica que o Brasil tem um déficit importante, uma vez que só traz dados sobre óbitos e internação de casos graves, mas não consegue precisar se a doença está se espalhando com mais velocidade ou não.

“É preciso ter outros indicadores que sejam mais sensíveis para detectar imediatamente essa mudança de comportamento da aceleração de casos para que se possa propor novas intervenções ou outras restrições.”

A respeito do avanço da campanha de vacinação, Carla Domingues enfatiza que muitos estados ainda estão imunizando a faixa-etária de 30 anos, enquanto outros já convocaram pessoas de 12 a 18 anos. Ela defende que se vacine primeiro os adultos: “”Essa é a população que tem risco de adoecer, ter complicações e óbitos”.

“Antes de estarmos vacinando os adolescentes nós deveríamos concentrar a vacinação nessa população, garantir que toda a população acima de 18 anos tenham as duas doses, para depois a gente avançar na vacinação de adolescentes.”

Ela faz uma ressalta, porém, indicando que adolescentes com comorbidades e situações especiais devem ser prioridade.

*(supervisionados por Elis Franco)

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