Queiroga diz que passaporte da vacina é descabido e há ‘indústria de multas’

Ministro criticou medida adotada pela prefeitura do Rio, que exige comprovação de vacinação para entrada em academias, estádios e eventos

Pedro Duranda CNN

no Rio de janeiro

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O ministro da saúde, Marcelo Queiroga, criticou a exigência de comprovação de vacinação para que as pessoas acessem locais específicos. A medida, chamada de “passaporte da vacina”, passará a valer a partir da próxima quarta-feira (1°/9) na cidade do Rio de Janeiro. A obrigação valerá para academias, pontos turísticos, estádios e ginásios. Quem não se vacinar também não terá direito de fazer cirurgias eletivas pelo SUS e nem participar de programas de transferência de renda da prefeitura.

“Eu acho uma exigência descabida na minha opinião. Totalmente descabida. O que nós temos que ter é protocolos. Protocolos de segurança, dar segurança à nossa população e fazer a campanha de vacinação que nós estamos fazendo”, disse Queiroga em evento com representantes da Guiné Bissau em clínica na zona Norte do Rio de Janeiro.

Questionado sobre a melhor estratégia pra incentivar a população a se vacinar, Queiroga afirmou que: “a população brasileira quer se vacinar” e que a imprensa tem ajudado nesse convencimento. “Passaporte não ajuda. Não ajuda em nada. Tudo que é imposição, que é lei, o Brasil já tem um regulamento sanitário que é dos mais avançados do mundo. E essas matérias são matérias administrativas. O certificado de vacinação tá lá, qualquer um pode pegar, e você começar a restringir a liberdade das pessoas exigindo passaporte, carimbo, querer impor por lei uso de máscaras pra estar multando as pessoas, indústria de multas, nos somos contra isso”, disse o ministro.

A prefeitura do Rio anunciou o passaporte obrigatório no final de julho, junto com o plano de flexibilização e retomada. As datas de reabertura dos setores fechados, no entanto, foram suspensas oficialmente nessa semana após o avanço da variante Delta na cidade. Nesta sexta (27/8), o prefeito Eduardo Paes (PSD), disse que vai adotar a exigência a partir de 1° de setembro, mas que “a prefeitura não é babá” para fiscalizar sozinha a vacinação, por isso fará a averiguação por amostragem e conta com a ajuda de comerciantes. Nas contas do município, 180 mil pessoas não tomaram a segunda dose das vacinas no prazo estabelecido. Outros 30 mil idosos não tomaram sequer a primeira dose.

Exigido em vários países do mundo, o “passaporte sanitário” obrigatório foi cogitado para bares e restaurantes na cidade de São Paulo no último fim de semana. Na segunda-feira (23/8), no entanto, a cidade recuou e determinou que a exigência seria obrigatória apenas para eventos feiras, congressos e partidas de futebol.

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