Reação à vacina da AstraZeneca pode interferir no recrutamento da Coronavac

Dimas Covas, que coordena os estudos da Coronavac no Brasil, receia que voluntários fiquem com medo dos testes

Por Pedro Duran, da CNN Brasil em São Paulo

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A reação adversa provocada pela vacina da AstraZeneca com a Universidade de Oxford pode dificultar o recrutamento de voluntários para a aplicação da Coronavac, vacina produzida por meio de uma parceria do laboratório chinês Sinovac com o Instituto Butantan.

A avaliação é do presidente do Instituto, Dimas Covas, que coordena os estudos da Coronavac no Brasil.

“Eu acho que é muito ruim, né? É uma vacina que estava andando bem e tem um efeito adverso que suspende os estudos e pode inclusive interferir no nosso recrutamento”, disse ele à reportagem da CNN.

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O médico se refere à pesquisa clínica que está sendo feita com a aplicação da Coronavac em profissionais da saúde.

“Depende muito de como a notícia será veiculada, porque as pessoas embora sejam profissionais da saúde são voluntários. Eu particularmente espero que não interfira”, completou Covas.

O recrutamento da terceira e última fase da pesquisa científica da eficácia da Coronavac está na metade. Faltam ainda cerca de 4 mil profissionais da saúde para serem recrutados pelo Instituto Butantan no Brasil. Serão 9 mil, ao todo, recebendo doses da vacina nesta fase dos testes.

A vantagem, segundo ele, é que a Coronavac utiliza o vírus morto e a vacina de Oxford o vírus vivo. “As pessoas podem ficar temerosas. Tem que ser bem explicado que são vacinas diferentes. Uma é de vírus morto e a outra é de vírus vivo. Tem uma diferença substancial em termos de tecnologia, mas a gente também não sabe qual foi a gravidade”, 

Covas ressaltou ainda que a coronavac, entre as vacinas que estão em desenvolvimento, é uma das que tem se mostrado mais seguras, já que tem menos efeitos colaterais do que as outras, com menos de 5% dos voluntários apresentando consequências físicas da vacinação, especialmente dores no braço – o que é relativamente comum.

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