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    RJ é o estado com maior número de linhagens diferentes da Covid-19 no país

    Estado já registrou a circulação de 33 cepas distintas do novo coronavírus, frente a 32 detectadas no estado de São Paulo e 26 em Minas Gerais

    Jovem transita pelo Saara, tradicional mercado popular no centro do Rio de Janeiro, sem máscara
    Jovem transita pelo Saara, tradicional mercado popular no centro do Rio de Janeiro, sem máscara Foto: André Melo Andrade/Immagini/Estadão Conteúdo

    Iuri Corsini, Pauline Almeida e Thayana Araújo da CNN, no Rio de Janeiro 

    O Rio de Janeiro é o estado com o maior número de linhagens diferentes da Covid-19 no Brasil. São 33 cepas distintas, frente a 32 detectadas no estado de São Paulo e 26 em Minas Gerais, 2º e 3º colocados, respectivamente. 

    Os dados são da Rede Genômica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ainda não consta no levantamento a nova linhagem detectada recentemente no Rio, a P.5, nem a P.1.2 – também inicialmente localizada no RJ. No total, considerando estas duas últimas mencionadas, o país tem mais de 100 linhagens do novo coronavírus em circulação. 

    Em relação às variantes que compõem as linhagens com mais transmissibilidade e maior número de casos, São Paulo fica na frente, com quatro detectadas (B.1.1.7; P.1; B.1.351 e P.2). Os estados do Rio, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Sergipe e o Distrito Federal possuem, cada, 3 destas cepas. 

    As linhagens são organismos que compartilham o mesmo ancestral, ou seja, possuem a mesma origem, e têm mutações similares. No caso dos vírus, a maioria das mutações não causa mudanças na capacidade de infecção ou na gravidade da doença. Porém, de acordo a Fiocruz, mesmo sendo minoria, algumas dessas mudanças podem levar o vírus a se tornar mais transmissível ou mais letal.

    Segundo Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz e um dos responsáveis pelos dados da Rede Genômica, a alta quantidade de diferentes linhagens do vírus não necessariamente facilita o surgimento de novas mutações. O que aumenta o risco é a taxa de transmissão de cada região.

    “Podemos considerar que não é coincidência que algumas linhagens surgiram em locais onde existe muita transmissão. Precisamos diminuir a transmissão urgente, seja pelo avanço da vacinação, seja pelas medidas não-farmacológicas”, afirmou ele. 

    Luciana Costa, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante da Rede Corona-ômica, segue na mesma linha e afirma que o comportamento da população interfere diretamente no aparecimento de novas variantes. 

    “Enquanto tiver com esse número de casos, perto dos 100 mil diários, isso vai acontecer. Por isso que as pessoas têm que se conscientizar, têm que criar e tomar medidas preventivas. Apesar de a mortalidade não estar aumentando, está até tendo diminuição, a gente continua com um número de casos diários muito grande. Quanto mais o vírus tem possibilidade de se replicar, mais a gente vai encontrar variação, faz parte do sistema biológico.”

    Das 12 variantes que formam as linhagens com mais transmissão e número de casos, 5 estão em circulação no país. São as linhagens B.1.1.7, B.1.351, P.1; e as P.2 e a B.1.525. 

    A B.1.525 só foi encontrada na Bahia. Já a B.1.351, segundo o levantamento da Rede Genômica, só foi identificada, até o momento, no estado de São Paulo. 

    Apesar de a P.1 ser a linhagem predominante no país em relação à quantidade de casos, é a P.2 que se encontra na maior parte dos estados brasileiros. A P.2 está presente em 22 estados e mais o Distrito Federal. Já a P.1 foi localizada em 20 estados além do DF. 

    A P.2 foi detectada inicialmente na cidade do Rio de Janeiro, em outubro de 2020, através do sequenciamento feito pelo Laboratório de Computação Científica (LNCC), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, em parceria com a UFRJ. Tanto a P.1 como a P.2 já foram associadas a casos de reinfecção no Brasil. 

    Na capital fluminense, 80,7% das linhagens detectadas são da P.1, enquanto 7,5% são da B.1.1.33 e apenas 3,44% da P.2. No estado, a P.1 está presente em todos os municípios do Rio. Já a P.2 foi detectada em 14 cidades.