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    CNN Plural

    Saúde mental: como a discriminação afeta a saúde mental dos grupos minorizados

    O preconceito e a discriminação contra as pessoas que fazem parte dos grupos minorizados afetam diretamente a saúde mental delas

    Diagnósticos de ansiedade e depressão cresceram após a pandemia de Covid-19
    Diagnósticos de ansiedade e depressão cresceram após a pandemia de Covid-19 Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Letícia Vidicada CNN

    Tudo bem com você?

    Antes de responder essa pergunta corriqueira, que às vezes passa desapercebida ou já tem prontamente uma resposta automática a ser dada, quero te convidar para uma reflexão.

    Está, ou estaria, tudo bem se você fosse o alvo favorito das ações policiais, se pessoas como você liderassem o topo das estatísticas de mortes violentas no país, se não fosse aceito pela forma a qual escolheu viver?

    Está, ou estaria, tudo bem se você não se sentisse incluído na sociedade e fosse rejeitado pelo seu jeito de ser? Está, ou estaria, tudo bem se fosse discriminado, fosse vítima de uma série de violências, rejeições e preconceitos diários?

    E aí? Está, ou estaria, tudo bem?

    Para muita gente que passa por isso, não está e não anda nada bem. São situações como essas que pessoas negras e/ou que fazem parte da comunidade LGBTQIAPN+ passam quase que diariamente.

    E, por isso, a saúde mental de muitas delas não anda nada bem. E precisamos nos atentar a isso. Precisamos falar mais sobre isso.

    O preconceito e a discriminação contra as pessoas que fazem parte dos grupos minorizados afetam diretamente a saúde mental delas. No caso da população negra, por exemplo, o racismo estrutural é o principal causador de uma série de problemas psicológicos, como ansiedade e depressão.

    As agressões e violências sofridas diariamente ou ao longo da vida e a exclusão e pressão social vivida por quem tem a pele preta fazem – consciente ou inconscientemente – muito mal para a saúde mental da população negra.

    Imagine você (caso não sinta na pele): ser pré-julgado o tempo topo por conta da cor da pele, ser o alvo principal da violência no país, ter que provar sua capacidade o tempo todo, sentir mais dificuldades para acessar lugares e posições, carregar o fardo pesado de ter de ser ‘forte’ ou ‘guerreira’ o tempo inteiro e ter que andar alerta e na defensiva para esquivar-se das artimanhas do racismo estrutural. Haja saúde mental para suportar isso não?

    Assim como a população preta, a saúde mental da comunidade LGBTQIAPN+ também merece atenção. Um estudo do coletivo #VoteLGBT mostrou um aumento de 26% no agravamento da situação psicológica dessa população nos últimos anos. E olha que o levantamento ouviu mais de 7 mil pessoas! Não, não está nada bem.

    Ansiedade e depressão também atingem diretamente quem está o tempo todo sendo alvo de violências, discriminação e rejeição por conta da sua orientação sexual.

    Não se sentir parte da sociedade, nem sempre ter o apoio familiar, viver se escondendo, sofrer ou ser vítima de agressões físicas em público por ser quem é… Tudo isso acaba com o psicológico de muita gente.

    O mais alarmante de tudo é que, em alguns casos, o fim dessa história pode ser dar fim a própria vida. Segundo o Ministério da Saúde, o índice de suicídio entre adolescentes negros é 45% maior do que entre brancos, por exemplo.

    Um levantamento do Grupo Gay da Bahia mostra que, no ano passado, 256 pessoas LGBT+ foram assassinadas ou cometeram suicídio no país. De acordo com pesquisa Gênero e Número, 57% da população LGBTI+ no país que se automutila é negra.

    Números como esses que assustam. Mas números que não são só números. São vidas. E vidas que podem estar ao nosso lado precisando de ajuda. Por isso, pergunte sempre se está tudo bem, mas tente entender quem está do outro lado da pergunta. E, se ela fizer parte de um desses grupos minorizados, atente-se para a resposta e queira saber, de fato, está tudo bem.