Saúde mental de alunos do ensino médio nos EUA piorou durante a pandemia, diz CDC

Pesquisa dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças mostrou que 37% dos estudantes apresentaram problemas de saúde mental

Marcos Santos/USP Imagens

Deidre McPhillipsda CNN*

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As preocupações com a saúde mental entre os estudantes do ensino médio nos Estados Unidos foram exacerbadas durante a pandemia da Covid-19, de acordo com os resultados da pesquisa publicada nesta quinta-feira (31) pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA.

Houve aumentos significativos de estudantes do ensino médio relatando sentimentos persistentes de tristeza ou desesperança, considerando suicídio ou tentativa de suicídio na última década – e as descobertas da nova pesquisa do CDC sugerem que a saúde mental dos jovens foi ainda pior durante a pandemia.

No geral, mais de um terço (37%) dos estudantes do ensino médio nos Estados Unidos tiveram problemas de saúde mental pelo menos na maior parte do tempo durante a pandemia de Covid-19, segundo a pesquisa do CDC.

Mais de dois em cada cinco alunos (44%) sentiram tristeza persistente ou desesperança que os levou a parar de fazer algumas atividades habituais. Cerca de um em cada cinco considerou seriamente o suicídio, e cerca de um em cada 10 estudantes tentou suicídio.

A saúde mental precária foi mais prevalente entre jovens lésbicas, gays e bissexuais, bem como estudantes do ensino médio, segundo a pesquisa do CDC.

“Os jovens estão em crise”, disse Kathleen Ethier, diretora da divisão de saúde escolar e adolescente do CDC, durante uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (31).

“Esses dados e outros como esse nos mostram que os jovens e suas famílias estiveram sob níveis incríveis de estresse durante a pandemia. Nossos dados expõem rachaduras e revelam uma importante camada de insights sobre as rupturas extremas que alguns jovens encontraram durante a pandemia. ”

Os alunos que disseram que se sentiam próximos das pessoas na escola, ou se sentiam virtualmente conectados, eram significativamente menos propensos a relatar problemas de saúde mental durante a pandemia, segundo a pesquisa do CDC.

Estudantes gays, lésbicas e bissexuais eram menos propensos do que estudantes heterossexuais a se sentirem conectados às pessoas na escola.

E mais de um terço dos estudantes do ensino médio – incluindo quase dois terços dos estudantes asiáticos e mais da metade dos estudantes negros – relataram ter sofrido racismo antes ou durante a pandemia.

Aqueles que disseram ter sido maltratados ou injustiçados na escola por causa de sua raça ou etnia também eram menos propensos a se sentir conectados às pessoas na escola e mais propensos a ter problemas de saúde mental, dificuldade de concentração, lembrar ou tomar decisões.

No ano passado, o CDC declarou o racismo uma séria ameaça à saúde pública.

Em um comunicado, a diretora do CDC, Rochelle Walensky, observou o impacto desproporcional que o Covid-19 teve nas comunidades de negras, mas disse que desigualdades estruturais mais amplas ao longo de gerações “resultaram em disparidades de saúde raciais e étnicas severas, de longo alcance e inaceitável.”

Desde o início da pandemia, cerca de dois terços dos alunos (66%) afirmaram ter mais dificuldade em concluir os trabalhos escolares. No geral, mais da metade dos alunos relatou abuso emocional por parte de um dos pais ou outro adulto em sua casa e cerca de um quarto passou fome. Ambas as experiências estiveram ligadas à dificuldade em concluir os trabalhos escolares.

“Problemas de saúde mental em jovens são frequentemente associados a outros riscos comportamentais, como uso de drogas, violência e comportamentos sexuais de alto risco”, disse Jonathan Mermin, diretor do Centro Nacional de HIV, Hepatite Viral, DST e TB do CDC, durante uma coletiva de imprensa. “E esses problemas podem ter efeitos negativos duradouros até a idade adulta.”

Cerca de 33% dos estudantes do ensino médio disseram ter usado tabaco, álcool, maconha ou opioides prescritos no primeiro semestre de 2021 – e cerca de um em cada três relatou usar mais essas substâncias durante a pandemia do que antes.

“Como as escolas desempenham um importante papel de proteção na vida dos jovens, precisamos fazer todo o possível para apoiar as instituições educacionais e suas políticas eficazes”, disse Mermin.

A pesquisa do CDC foi realizada entre janeiro e junho de 2021 em uma amostra nacionalmente representativa de cerca de oito mil estudantes do ensino médio.

A Equipe de Resposta à Covid-19 do CDC colaborou com especialistas do programa Divisão de Saúde do Adolescente e Escolar da agência para adaptar a Pesquisa de Comportamento de Risco da Juventude, lançada com fundos da Lei de Ajuda, Alívio e Segurança Econômica de Coronavírus (Cares, em inglês).

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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