Secretário de Saúde do Rio critica colégio por retorno às aulas em modelo híbrido

Decisão do Colégio Federal Pedro II também foi alvo de protestos dos pais dos estudantes

Secretário afirmou que "não faz sentido" evitar o retorno presencial nas escolas por razões epidemiológicas
Secretário afirmou que "não faz sentido" evitar o retorno presencial nas escolas por razões epidemiológicas Foto: Eduardo Matysiak/Futura Press/Estadão Conteúdo

Camille CoutoIsabelle Salemeda CNN

Rio de Janeiro

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Diante da decisão do Colégio Federal Pedro II, no Rio de Janeiro, em manter os alunos em ensino híbrido, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou que não há evidências epidemiológicas para não justificar o retorno presencial das aulas. O modelo escolhido pelo colégio também não foi bem recebido pelos pais dos estudantes, que questionam ainda outra decisão da unidade de ensino: exigir dos alunos o comprovante de vacina contra a Covid-19.

“Como autoridade sanitária do município, a gente vem recomendando o retorno às aulas. As escolas são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo das crianças, para socialização. Não faz nenhum sentido o não retorno presencial. O Colégio Pedro II utiliza a pandemia para justificar a falta de professores e outros problemas internos”, disse Soranz.

No Supremo Tribunal Federal (STF) segue a discussão sobre a exigência do comprovante da vacinação contra Covid-19 em universidades e institutos federais. Na última sexta-feira (11), o STF começou a julgar uma ação contra uma portaria do Ministério da Educação que proibiu a obrigatoriedade de cobrança do documento. Até agora, os ministros Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski votaram a favor da exigência do passaporte de vacinação para os alunos. A votação está prevista para ser concluída até a próxima sexta-feira (18).

No último domingo (13), o desembargador federal Marcello Granado concedeu habeas corpus para uma aluna de 11 anos do colégio poder frequentar as aulas sem tomar a vacina contra a Covid-19. A decisão contraria o parecer da juíza Mariana Preturlan que, no último dia 3, havia negado o habeas corpus impetrado pela mãe da aluna e mantido a decisão do colégio federal para que a estudante apresentasse o comprovante vacinal para ingressar nas aulas presenciais.

Em sua decisão, o magistrado citou que “não é possível obrigar as pessoas a se submeterem a um experimento com alto risco, principalmente aquelas que já tiveram a Covid”, e disse que chegam a seu conhecimento, todos os dias, notícias nas “redes sociais e Telegram” sobre relatos dos mais “diversos efeitos adversos”, em relação à vacina contra a Covid-19.

No início do mês, foi publicado um vídeo nas redes sociais em que Soranz afirmou que o Colégio usava a pandemia para não retornar às aulas. Na postagem, ele aparece ao lado do secretário de educação, Renan Ferreirinha. No mesmo dia, o prefeito Eduardo Paes também se manifestou sobre a situação pelo Twitter. “É muita covardia com nossos jovens não ter aulas presenciais. Pior, alegam motivos epidemiológicos. Tenho muita vergonha do meu país nessas horas! Escolas tem que ser prioridade!”, postou o prefeito.

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